
O projeto surge a partir de uma conversa entre amigos com a proposta de expandir a cultura da roda de samba da comunidade para o mundo
O Samba do Monte é uma celebração feita pela comunidade do bairro Jardim Monte Azul, na zona sul, na capital de São Paulo. Mulheres, homens, crianças e idosos se reúnem um domingo por mês para tocar e dançar canções brasileiras e resgatarem suas raízes.
“Fazer uma roda de samba de respeito”. Esse é o lema do Samba do Monte, grupo que nasceu em 12 de outubro, de 2008, formado por sambistas preocupados em manter e difundir sua tradição.
A ideia surgiu a partir de uma conversa de Jaime Lopes (Diko) para Ailton Augusto Vieira da Velha-Guarda da Tom Maior – uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo –, que achou interessante e pediu um exemplo. “Agi na prática. Levei Ailton para conhecer uma das rodas de samba que freqüento e me inspirou essa idéia”, conta Diko entusiasmado.
Ailton adorou a sugestão e ficou fascinado: “‘Fecho com você’, mas eu quero organizar a roda”, disse. Diko, que é produtor, teve que concordar: “Velha Guarda é Velha Guarda; tem paciência, sabedoria e, principalmente, experiência”, justifica.
E foi com a ideia fixa em fazer uma roda de samba de raiz no bairro onde Diko nasceu e vive (Jardim Monte Azul), e recebendo elogio e apoio dos amigos, que o projeto rapidamente aconteceu.
A reunião começou entres os amigos: Ailton (Velha Guarda da Tom Maior), Marina Nicolau Vieira (Velha Guarda da Tom Maior e primeira-dama do Samba do Monte), Jaime “Diko” Lopes, Márcio (Mestre da bateria da escola de samba Tom Maior), André Marques, o “Déco”, Rogério, o “Formigão”, Sandro, o “Nego Véio” Renato Lopes e Roberta Vieira.
Com integrantes que participam da cultura carnavalesca, o projeto apresenta um repertório diversificado e com uma seleção do que há de melhor na história do samba, como Noel Rosa, Cartola, Clementina de Jesus, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Candeia, entre outros. Parte das canções, como é natural de uma roda de samba, é feito no improviso. E composições próprias já estão em desenvolvimento.
A proposta do projeto é expandir a cultura afro-brasileira apresentando seus afluentes como a roda de samba, e assim promover diversão e atividades que integrem a comunidade. Mais do que simplesmente tocar, o ato traz identidade às pessoas.
Diferente do início da história do gênero musical, em que os negros eram discriminados e tidos como "vagabundos e malandros", hoje são respeitados e tornaram-se os mestres das rodas de samba e desfiles carnavalescos, os mesmos que faziam o som com pandeiro de lata de goiabada e caixinha de fósforo. Dos tempos em que quase ninguém tinha televisão, a diversão era a reunião entre amigos, em que cada um levava o seu instrumento musical, surgindo assim uma roda de descontração, um momento de lazer – uma "roda de samba" de crioulos.
A roda que gera o samba – Hoje é tudo mais moderno e a roda de samba foi a responsável por manter essa tradição da cultura brasileira. “É a roda que gera o samba e não o samba que gera a roda: da Tia Ciata ao Cacique de Ramos”.
“A roda é a ambiência sonora que permitiu o aparecimento e, posteriormente, o desenvolvimento do samba”, cita o pesquisador Roberto M. Moura, no livro No Princípio, era a Roda, lançado em 2005 pela Editora Rocco.
Além de negros, hoje tem branco tocando cuíca e pandeiro; e até japonês participando de roda de samba na periferia, porque a cor está no sangue. “Samba é raiz, é vida, comunidade, felicidade: É a união sem preconceito de raça, credo, sexo e poder aquisitivo”, finaliza Diko.
Participantes do Projeto Samba do Monte
Agenda Samba do Monte.
Data: Acontece todo segundo domingo de cada mês.
Local: Centro Cultural Monte Azul - Endereço: Tomás de Souza, 552
Bairro:Jardim Monte Azul - Cidade: São Paulo Estado:SP - CEP:05836-350
Horário: das 14h às 20h Preço: gratuito.
Samba do Monte na Web.
www.sambadomonte.blogspot.com / www.myspace.com/sambadomonte
Contato para mais informações.
Telefone:11-81926297 - E-mail: sambadomonte@gmail.com |