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“Conheci Wanderley Monteiro em 1996, num bar chamado Iguana, em Vila Isabel, num pagode de primeira, do jeito que eu gosto. Meu amigo Zé Luis, compositor consagrado da Império Serrano (...são eles, velhos malandros maneiros...) me disse: “Beth, escuta esse samba do meu amigo Wanderley em parceria com Álvaro Maciel”. O título do samba era Vida de Compositor”. Eu ouvi e disse, vou gravar! Era um samba que já nascia clássico”.
Beth Carvalho
O cantor e compositor é a maior revelação do samba carioca da atualidade. Seu primeiro CD solo foi lançado recentemente.
Wanderley Monteiro começou a freqüentar as rodas de samba carioca ainda na década de 80. Em 1999, se tornou músico da mais importante casa de samba carioca, o Candongueiro. Exímio cavaquinista, na casa teve a oportunidade de tocar ao lado de consagrados sambistas, como Nei Lopes, Dona Ivone Lara, Luiz Carlos da Vila, Wilson Moreira, dentre muitos outros.

O cantor é constantemente convidado para se apresentar nas principais casas de samba do Rio, como Dama da Noite, Sacrilégio, Carioca da Gema e Centro Cultural Carioca. Wanderley Monteiro também participa há vários anos como cantor das festas oficiais promovidas pela Riotur no período de reveillon e Carnaval. Em 2006, foi selecionado para participar do projeto Sala Funarte de Música e em jun/06 fez dois shows naquela importante sala para MPB.

Em São Paulo, já realizou shows nos anos de 2004 , 2005 e 2006 no Sesc Pompéia (ao lado de Cristina Buarque de Olanda, Luiz Carlos da Vila e Bandeira Brasil ). Ainda no Sesc Pompéia, participou dos Shows Tributo ao Candeia e do "Marçal, Uma Dinastia do Samba" (ao lado de Moacyr Luz, Wilson das Neves, Eliseu, Marçal Filho e Juliana Amaral); Sesc Consolação, Sesc Ipiranga, e nas casas Traço de União, Villaggio Café, Ó do Borogodó, Capela Beer, Bar Samba (neste, desde 16/07/2005), além da loja Mauro Discos.

Seu primeiro CD solo intitulado "Vida de Compositor" (Seven Music/Sony Music) foi lançado ano passado em duas ocasiões no Teatro Rival, no Rio de janeiro, com grande sucesso. Este ano, Wanderley Monteiro fez novo show no mesmo teatro. Todas as músicas do CD são de sua autoria, com diferentes parceiros. O disco revela um artista refinado nas melodias, nas letras e nos ritmos. Ele vai do partido alto ao ijexá; do samba dolente ao tradicional samba de velha-guarda.

Diversas composições de Wanderley Monteiro já foram gravadas por outros sambistas. Beth Carvalho, em seu último disco lançado no fim do ano passado, intitulado "A madrinha do samba ao vivo convida", apresenta duas músicas do compositor: "Água de chuva do mar" (parceria de Wanderley Monteiro com Carlos Caetano, que já tinha sido música de trabalho da cantora no seu CD Pagode de mesa II) e "Pra conquistar teu coração" (uma belíssima composição em parceria com Luiz Carlos da Vila). A cantora também já tinha gravado no álbum Brasileiro da Gema a música "Vida de Compositor" (composição de Wanderley Monteiro e Álvaro Maciel).

Tia Surica, pastora da Velha Guarda da Portela, no seu primeiro trabalho solo lançado recentemente, gravou "Manto de Beleza" (parceria de Wanderley Monteiro com Luiz Carlos Máximo). Dorina, em seu disco "Samba.com", interpretou "Não vou me iludir" (também de Wanderley Monteiro e Álvaro Maciel). Nilze Carvalho no seu primeiro álbum "Está Faltando Você" Jun/2005 gravou "Somos Nós" obra em parceria com Mário Lago Filho e Paulinho Cabeça que Wanderley Monteiro regravou no CD do projeto "Samba do Trabalhador" com grandes compositores do gênero; Ernesto Pires, Bandeira Brasil, Luiz Carlos da Vila e Agenor de Oliveira foram outros músicos que já gravaram composições de Wanderley Monteiro.

No ano passado, o compositor foi indicado na primeira fase para o Prêmio Tim, e concorreu ao III prêmio Rival-BR, ambos na categoria revelação.

Nem só de música vive um artista
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Wanderley Monteiro compõe e canta desde os anos 80 e já tem status de veterano no meio do samba. Nei Lopes, além dos elogios a sua voz, comentou: “Wanderley é uma das minhas poucas admirações no jovem mundo do samba”. Já Beth Carvalho, madrinha do cantor, gravou duas de suas composições que viraram sucesso: “Água de chuva no mar” (em parceria com Carlos Caetano e Gerson Gomes) e “Vida de compositor” (em parceria com Álvaro Maciel), que dá nome ao primeiro CD do cantor.

Músico e bancário, Wanderley – hoje – divide seu tempo entre suas composições, seus shows e seu trabalho no banco. Tantas ocupações que não tiram o fôlego – e nem a paixão pela música – de Wanderley, que aprendeu a tocar violão ainda criança com seu irmão e, na adolescência, tocou em bloco de carnaval e montou um grupo de samba, o Sensasamba.

Em 1992 Wanderley já compunha quando passou em um concurso público para o banco. Por causa do emprego, foi para São Paulo e parou de compor por um ano. Em 1993, Wanderley retornou ao Rio de Janeiro e, a convite do amigo de infância Álvaro Maciel, compôs um samba-enredo para o carnaval da escola de samba São Clemente, que acabou não sendo escolhido para o carnaval de 94. Desse episódio surgiu o samba “Vida de compositor”, que Álvaro Maciel escreveu para consolar o amigo. Wanderley musicou a letra e nasceu assim seu primeiro sucesso musical.

De 1999 a 2006, o cantor foi contratado da casa de samba Candongueiro, reconhecido reduto do samba em Niterói e tocou com grandes nomes, como Wilson Moreira, Nelson Sargento e Delcio Carvalho. Em 2004, lançou seu primeiro CD, “Vida de Compositor”, com arranjos e produção de Paulão 7 Cordas, que contou com a participação especial de Beth Carvalho cantando “Água de chuva no mar” e de Iracema Monteiro nas faixas “Por um triz” e “Quem me dera coração”.

Texto do cantor, compositor e escritor Nei Lopes sobre Wanderley
Monteiro, publicado no jornal O Globo, no dia 8 de fevereiro de 2005
Dos últimos CDs que recebi e tenho ouvido, confesso que o que mais me impressiona é o de Wanderley Monteiro. Trata-se de um jovem sambista, amadurecido nas melhores rodas do samba carioca, principalmente na do Candongueiro, em Pendotiba, e que fez um primoroso disco autoral. Nele, Wanderley reverencia a melhor tradição do samba mas com frescor e jovialidade, sem recorrer aos clichês passadistas que a gente volta e meia vê por aí. Sua voz, grave e aveludada, lembra os melhores momentos de Monarco e do saudoso Alberto Lonato. Seus sambas de melodia sinuosa (ele é ótimo cavaquinista) falam de amor sem pieguice e do universo das escolas realisticamente. Seu genial verso “meu samba enredo caiu; caiu por terra”, por exemplo, permite muitas leituras; e “pra quem sabe ler, um pingo é uma palavra por extenso’’ — como dizia minha tia-avó Rosária, partideira centenária. Wanderley é uma das minhas poucas admirações no jovem mundo do samba.
As músicas de Wanderley Monteiro podem ser escutadas na programação de nossa rádio.
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