CONFETES E SERPENTINAS
RÁDIO BERÇO DO SAMBA

GRUPO BERÇO DO SAMBA

BIOGRAFIAS

 
Adoniran Barbosa (João Rubinato)
6/8/1910 Valinhos, SP
23/11/1982 São Paulo, SP
 
 

Compositor. Cantor. Humorista. Ator.

Filho de imigrantes italianos. Ainda muito jovem em Jundiaí, passou a ajudar o pai no serviço de cargas em vagões da E.F. São Paulo Railway, atual E.F.Santos - Jundiaí. Ainda em Jundiaí, trabalhou como entregador de marmitas e varredor numa fábrica. Em 1924, transferiu-se com a família para Santo André, onde exerceu as funções de tecelão, pintor, encanador, serralheiro e garçom, na casa do então Ministro da Guerra, Pandiá Calógeras. Posteriormente, foram para São Paulo, onde aprendeu o ofício de metalúrgico - ajustador no Liceu de Artes e Ofícios. Foi obrigado a abandonar a função porque seus pulmões ficaram afetados pelo pó do ferro esmerilhado. Empregou-se em outras funções, entre as quais a de vendedor.

Foi apelidado de "Noel Rosa paulista". E um símbolo quase unânime do chamado samba paulista/paulistano do Brás.


Entrou para a história da Música Popular Brasileira como um dos maiores nomes da cultura e da produção artística de São Paulo, um originalíssimo cronista musical da vida de sua cidade. Suas primeiras composições foram "Minha vida se consome", com Pedrinho Romano e Verídico e "Socorro", com Pedrinho Romano. Tentava a sorte em programas de calouros da Rádio Cruzeiro do Sul de São Paulo. Em 1933, foi aprovado num desses concursos, interpretando o samba "Filosofia", de Noel Rosa. Iniciou carreira artística a convite do cantor Paraguaçu, que o levou a se apresentar num programa semanal (de 15 minutos de duração), onde era acompanhado por conjunto regional. Em 1935, teve sua primeira composição gravada, a marcha "Dona boa", registrada por Raul Torres na Columbia, composição na qual colocou versos em música de J. Aimberê. Essa marcha recebeu o prêmio de primeira colocada em concurso de músicas carnavalescas promovido pela Prefeitura de São Paulo. Ainda nesse mesmo ano, adotou o pseudônimo com o qual se tornaria posteriormente conhecido pelo grande público.

Entre os anos de 1935 e 1940, atuou na Rádio Cruzeiro do Sul como cantor e animador de programas de discos. Em 1941, levado por Otávio Gabus Mendes, transferiu-se para a Rádio Record, onde fez radioteatro numa série chamada "Serões Domingueiros". Por essa época, trabalhava na emissora Osvaldo Moles, responsável pela criação de diversos personagens com linguajar tipicamente popular, tipos que iriam influenciar profundamente sua obra produzida nos anos subseqüentes. Em 1943, foi formado o conjunto Demônios da Garoa e passou a atuar com o grupo. Passaram a animar a torcida nos jogos de futebol promovidos por artistas de rádio no interior paulista. Em 1945, participou do filme "Pif-paf", e em 1946, do filme "Caídos do céu", ambos dirigidos por Ademar Gonzaga.

Em 1951, gravou seu primeiro disco, na Continental, com a marcha-rancho "Os mimosos "colibri", de Hervê Cordovil e Osvaldo Moles e o samba "Saudade da maloca", de sua autoria. Nesse ano, seu samba "Malvina" foi premiado em concurso carnavalesco em São Paulo e gravado pelos Demõnios da Garoa e lançado pelo selo Elite Special para o carnaval do ano seguinte. Em 1952, gravou o "Samba do Arnesto", de sua autoria e Alocin e o samba "Conselho de mulher", de sua autoria, José B. Santos e Osvaldo Moles. Nesse ano, fez com Osvaldo França o samba "Joga a chave", premiado em concurso carnavalesco da cidade de São Paulo e gravado pelos Demônios da Garoa. Em 1953, atuou no filme "O cangaceiro", de Lima Barreto. Em 1955, os Demônios da Garoa gravaram "Saudosa maloca" e "Sambo do Arnesto", este, parceria com Alocim, músicas onde firmou seu estilo peculiar de composição, retratando o universo das camadas populares de São Paulo, retratadas com linguajar caipira e paulistano italianado. São essas as características básicas do estilo que tornou Adoniram o compositor mais popular da cidade de São Paulo. "Saudosa maloca" foi logo depois registrada pela cantora Marlene e é considerado um dos seus maiores sucessos, a ponto de ser incluído na coletânea "As 14 músicas do século XX", produzido por R. C. Albin no ano 2.000 para a E.M.I/Odeon. Ainda nesse ano, os sambas "Conselho de muilher" e "As mariposas" foram gravados com grande sucesso pelo grupo Demônios da Garoa.

Em 1956, teve o samba "Iracema", outro de seus grandes sucessos, gravado pelos Demônios da Garoa na Odeon. O mesmo grupo gravou também no mesmo períodoos sambas "Um samba no Bixiga", "Quem bate sou eu", com Artur Bernardo e "Apaga o fogo mané". No mesmo ano, o grupo Os Modernistas gravou seu samba "O legume que ele quer", parceria com Manezinho Araújo. Em 1957, lançou "Bom-dia tristeza", uma única parceria com o poeta Vinicius de Moraes, cujo esboço original de Vinicius lhe foi entregue inicialmente pela cantora Aracy de Almeida, que logo depois a gravaria. Em 1958, seus sambas "Pafunça", com Osvaldo Moles e "Abrigo de vagabundos" foram gravados pelos Demônios da Garoa. Nesse ano, gravou os sambas "Pafunça", com Osvaldo Moles e "Nois não usa os bleque tais", com Tião. Gravou também o samba "Pra que chorar", de Peteleco. No lado A desse disco Paulo Augusto gravou sua marcha "Dotô Vardemá (Conheço muito)", parceria com Geralo Blota e Raguinho. Em 1959, mais um samba gravado pelos Demônios da Garoa: "No morro da Casa Verde".

Em 1960, fez em parceria com Osvaldo Moles o samba "Tiro ao Álvaro" gravado posteriormente por ele e Elis Regina. Por essa época, Osvaldo Moles escreveu especialmente para ele o programa "História das malocas", inspirado no samba "Saudosa maloca", programa no qual interpretou com sucesso o personagem "Charutinho", criado por Moles. A "História das malocas", foi apresentada até 1965 na Rádio Record, chegando a ser levada para a televisão. Em 1965, os Demônios da Garoa lançaram aquele que seria seu maior sucesso, o samba "Trem das onze", composição que recebeu prêmio no concurso de músicas de carnaval no quarto centenário da fundação do Rio de Janeiro. A música marcaria definitivamente a carreira do compositor, tornando-se um verdadeiro hino da cidade de São Paulo, com repercussão em todo o país. Participou de novelas e programas humorísticos da TV Record de São Paulo, como "Papai sabe nada" e "Ceará contra 007". Em 1968, participou da I Bienal do Samba com "Mulher, patrão e cachaça", com Osvaldo Moles. Atuou como radioator e também em telenovelas especialmente na Rádio e Tv Record.

Em 1973, atuou na primeira versão da novela "Mulheres de areia", de Ivani Ribeiro na TV Tupi. Em 1974, lançou seu primeiro LP individual, registrando antigas e novas composições como "Abrigo de vagabundos", "As mariposas", "Apaga o fogo Mané", "Trem das onze", "Saudosa maloca" e "Iracema". No ano seguinte, lançou o LP "Adoniran Barbosa" interpretando entre os sambas "No morro da casa verde", "Vide verso meu endereço", "Tocar na banda", "Malvina", "Não quero entrar", "Samba italiano", "Triste margarida (Samba do metrô)", "Mulher, patrão e cachaça", "Pafunça", "Samba do Arnesto", "Conselho de mulher" e "Joga a chave". Nos últimos anos de sua vida, suas apresentações tornaram-se esporádicas, sempre restritas à região metropolitana de São Paulo, com acompanhamento do Grupo Talismã. Em 1977, apresentou-se no Teatro 13 de Maio, no Bairro paulista do Bixiga juntamante com os sambistas cariocas Cartola, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti, Mário Lago e Carlos Cachaça.

Em 1980, a EMI-Odeon lançou o LP "Adoniram Barbosa" em comemoração aos 70 anos de vida do compositor. Para a ocasião, foram convidados inúmeros intérpretes, entre os quais, Elis Regina, Clara Nunes, Clementina de Jesus, Djavan, Carlinhos Vergueiro, entre outros, contando com a direção de Fernando Faro. Nesse disco, Elis Regine cantou "Tiro ao Álvaro", com Osvaldo Molles; Roberto Ribeiro "Bom dia tristeza", com Vinícius de Moraes; Djavan, "Agenta a mão, João", com Hervé Cordovil; o grupo MPB 4, "Vila Esperança", com Marcos César; Clementina de Jesus e Carlinhos Vergueiro, "Torresmo à milanesa", com Carlinhos Vergueiro e Gonzaguinha, "Despejo na favela". Nessa época, dividiu com Radames Gnatali a trilha sonora do filme "Eles não usam black-tie". Em 1984, foi lançado pelo selo Eldorado o LP "Documento inédito" onde aparecem raridades como o prefixo do programa "Fino da bossa", com ele e Elis Regina, além de falas suas entrecortadas por músicas como "Só tenho a ti", parceria com a poetisa Hilda Hilst, "Fala Mathilde", "Rua dos Guimarães" e outras.

Em 1996, foi lançado pela Editora Globo um CD e o fascículo "Adoniram Barbosa", dentro da "Coleçãp MPB - Compositores". No ano 2000, o violeiro Passoca lançou CD com composições inéditas do autor de "Trem das Onze" nas comemorações dos 90 anos de nascimento do sambista. Suas composições inéditas foram guardadas por Juvenal Fernandes, escritor amigo do sambista, que trabalhou em editoras de música e tem um baú com 90 letras do compositor. Em 2001, a gravadora Kuarup lançou o CD "Adoniram ao vivo", último show do compositor gravado no extinto Ópera Cabaré, de São Paulo, em 1979. Foi homenageado pelo cantor baiano e do movimento tropicalista Tom Zé no disco "Estudando o samba" na música "Augusta, Angélica e Consolação". Em 2002, foi lançado o livro "Adoniran, dá licença de contar...", pela editora 34 com um rico material iconográfico, autoria de Ayrton Mugnaini Jr. No mesmo ano, foram lançados mais dois livros sobre a vida e a obra do compositor "Adoniran Barbosa - O poeta da cidade", de Francisco Rocha e "Adoniran - Se o senhor num tá lembrado", de Flávio Moura e André Nigri.

A canoa virou (c/ Raimundo Chaves) • A louca chegou (c/ Henrique de Almeida e Rômulo Pais) • Abrigo de vagabundo • Abriu a janela (c/ Frederico Rossi) • Acende o candieiro • Adeus, escola... (c/ Ari Machado e Nilo Silva) • Agora podes chorar (c/ Nicolini) • Agora vai (samba) • Água de pote (c/ Osvaldo França e Antônio Lopes) • Agüenta a mão, João (c/ Hervé Cordovil) • Ai, Guiomar (c/ Osvaldo Moles) • Apaga o fogo, Mané • Aqui, Gerarda (c/ Ivan Moreno e Joca) • Arranjei outro lugá (c/ Antônio Rago) • As mariposas • Asa negra (c/ Hélio Sindô) • Bananeiro (c/ Joca e Geraldo Blota) • Bem eu quisera • Bom-dia, tristeza (c/ Vinícius de Moraes) • Camisolão (c/ Rômulo Pais e Jota Sandoval) • Chá de cadeira (c/ Jucata) • Chega (c/ José Marcílio) • Chora na rampa • Chorei, chorei! (c/ J. Nunes e Antônio Rago) • Comê e coçá, é só começá (c/ Geraldo Blota) • Como vai, Dr. Peru? • Conselho de mulher (c/ Osvaldo Moles e João B. dos Santos) • Decididamente (c/ Benedito Lobo e Marcolino Leme) • Deixa de beber (c/ Chuvisco e J. Nunes) • Despejo na favela • Dona boa (c/ J. Aimberê) • Dor-de-cotovelo (c/ Osvaldo Moles) • Dormiu no chão (c/ Antônio Rago) • Dotô Vardemá (c/ Antônio Rago e Geraldo Blota) • É fogo (c/ Hervé Cordovil) • Escada da glória (c/ Edmundo Cruz) • Eu quero ver, quem pode mais (c/ Rolando Boldrim) • Eu vou pro samba • Garrafa cheia (c/ Benedito Lobo e Antônio Rago) • Gol do amor (c/ Blota Júnior) • Grande Bahia (c/ Avaré) • Iracema • Já fui uma brasa (c/ Marcos César) • Já tenho a solução (c/ Clóvia de Lima) • Jabá sintético (c/ Marcos César) • Joga a chave (c/ Osvaldo França) • Juro amor (c/ Joca e Ivã Moreno) • Luz da Light • Malandro triste (c/ Mário Silva) • Malvina • Mamão (c/ Paulo Noronha e Raimundo Chaves) • Marcha do camelô (c/ Césio Negreiros) • Minha roseira (com Dedé) • Minha vida se consome (c/ Pedrinho Romano e Verídico) • Mulher, patrão e cachaça (c/ Osvaldo Moles) • Não me deu satisfação (c/ Nicolini) • Não precisa muita coisa (c/ Benito de Paula) • Não quero entrar • No morro da Casa Verde • No silêncio da noite (c/ Orlando de Barros) • Nóis dois não usa breque tai • Nós viemos aqui pra quê? • Nunca mais faço Carnaval • O caminhão do Simão • O casamento do Moacir (c/ Osvaldo Moles) • O legume que ele quer (c/ Manezinho Araújo) • O que foi que eu fiz? (c/ Osvaldo França) • Olhando pra lua (c/ Hervé Cordovil) • Pafunça (c/ Osvaldo Moles) • Perdoei • Pode ir em paz (c/ Hervé Cordovil) • Por onde andará Maria? (c/ Antônio Rago) • Pra esquecer (c/ Nicolini) • Prova de carinho (c/ Hervé Cordovil) • Quando te achei (c/ Hilda Hilst) • Quem bate sou eu! (c/ Artur Bernardo) • Quem é vivo sempre aparece (c/ Corvino) • Quero casar (c/ José Mendes e Arrelia) • Sai água da minha boca (c/ Osvaldo Moles) • Salve, oh! Gilda! (c/ Armando Rosas) • Samba do Arnesto (c/ Alocim) • Samba italiano • Saudosa maloca • Se meu balão não se queimar (c/ Nicolini) • Segura o apito (c/ Osvaldo Moles) • Senta, senta • Simples motivo • Socorro (c/ Pedrinho Romano) • Tá moiado (c/ Rômulo Pais e Dedé) • Terreque, terreque (c/ Avaré e Antônio Rago) • Teu orgulho acabou (c/ Pedrinho Romano) • Teu sorriso (c/ J. Moura Vasconcelos) • Tiritica (c/ Manezinho Araújo) • Tiro ao Álvaro (c/ Osvaldo Moles) • Tô com a cara torta (c/ Ivo de Freitas) • Tocar na banda • Trem das onze • Três heróis (c/ Rolando Boldrim) • Um amor que já passou (c/ Frazão) • Um samba no Bixiga • Velho rancho (c/ René Luís) • Vem, amor (c/ Geraldo Blota) • Vem, morena (com Antônio Rago) • Véspera de Natal • Vide verso meu endereço • Vila Esperança (c/ Marcos César) • Você é a melhor do mundo (c/ Raimundo Chaves) • Você tem um jeitinho (c/ Nicolini)

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