Noel Rosa mudou os rumos da Música
Popular Brasileira. Colocou na medida exata, o
peso da poesia nas composições.
Tudo o que aconteceria em nossa música
nas décadas seguintes teria, de alguma
forma, sua marca ou sua influência.
Noel de Medeiros Rosa nasceu no chalé da
rua Teodoro Silva, em Vila Isabel (RJ), no dia
11 de dezembro de 1911 e lá morreu, em
4 de maio de 1937. Filho de Manoel Garcia de Medeiros
Rosa, funcionário público, e de
Martha de Medeiros Rosa, professora que o iniciou
nas primeiras letras na escolinha que mantinha
na sua própria casa. Nasceu de um parto
muito difícil, arrancado a fórceps
sofreu afundamento e fratura do maxilar o que
lhe causou uma paralisia parcial no lado direito
do rosto, como conseqüência carregou
o defeito no queixo, o qual acentuava nas suas
auto-caricaturas, ao mesmo tempo que manteve-se
sempre tímido em público, evitando
ser visto comendo.
Quando ainda era pequeno, o pai foi trabalhar
em Araçatuba (SP) como agrimensor numa
fazenda de café. A mãe abriu uma
escola em sua própria casa, no bairro de
Vila Isabel, sustenta do assim os dois filhos
— o menor, Henrique, nascera em dezembro
de 1914. Foi alfabetizado pela mãe e, aos
13 anos, entrou para o colégio Maisonnette,
cursando depois o São Bento, onde ficou
até 1928, conhecido pelos colegas como
Queixinho.
Aos 13 anos, começou a tocar bandolim de
ouvido, logo passando para o violão, que
aprendeu com o pai e com amigos de casa: seu primo
Adílio, Romualdo Miranda, Cobrinha e Vicente
Sabonete, entre outros. Por 1925, já dominando
o instrumento, tocava em serenatas do bairro acompanhado
pelo irmão.
Em
1929, terminado o ginásio, preparou-se
para entrar na Faculdade de Medicina, sem deixar
de lado o violão e as serenatas. Em Vila
Isabel, estudantes do Colégio Batista e
moradores do bairro haviam formado um conjunto
musical, o Flor do Tempo, que se apresentava em
festas de família. Convidados a gravar
em 1929, o grupo foi reformulado, com o novo nome
de Bando de Tangarás (figura ao lado: charge
dos Tangarás), conservando João
de Barro, Almirante, Alvinho e Henrique Brito,
componentes da primitiva formação,
e incluindo-o, pois, embora jovem, era conhecido
no bairro como bom violonista. Participou assim
das primeiras gravações do Bando
de Tangarás, o samba Mulher exigente, seguido
de uma embolada e um cateretê (todos de
Almirante). No mesmo ano escreveu suas primeiras
composições, a embolada Minha viola
e a toada Festa no céu, que gravou em 1930
nas duas faces de um 78 rpm da Parlophon. Compôs
ainda, em 1931, duas canções sertanejas,
Mardade de cabocla e Sinhá Ritinha (com
Moacir Pinto Ferreira); decidiu-se depois, definitivamente,
pelo samba.
Freqüentando o Ponto de Cem Réis,
bar de Vila Isabel, entrou em contato com sambistas
dos morros cariocas. Entre eles conheceu Canuto,
do morro do Salgueiro, seu parceiro em algumas
composições, como o samba Esquecer
e perdoar, de 1931, e intérprete das primeiras
gravações deste e de Eu agora fiquei
mal (com Antenor Gargalhada); este último
parceiro era o principal dirigente da Escola de
Samba Azul e Branco, do Salgueiro. Dividindo-se
entre a música e a medicina, Noel freqüentava
a faculdade, que abandonou em 1932, restando dessa
experiência de estudante o “samba
anatômico” Coração,
gravado no ano seguinte.
Em
1930 surgiu seu primeiro sucesso, o samba Com
que roupa?apresentado pelo autor em espetáculos
do Cinema Eldorado, e que já trazia na
letra a observação crítica
e humorística da vida carioca que marcaria
toda a sua obra. No ano seguinte, essa música
entrou em diversas revistas, entre as quais Deixa
esta mulher chorar (dos irmãos Quintiliano),
Com que roupa? (de Luís Peixoto) e Mar
de rosas (de Velho Sobrinho e Gastão Penalva).
Ainda em 1931, lançou diversos sambas,
entre os quais Mulata fuzarqueira, Cordiais saudações
e Nunca... jamais e conheceu Marília Batista,
que se tornaria sua intérprete favorita.
Por essa época várias composições
suas foram aproveitadas em revistas musicais:
por exemplo, em Café com música,
de Eratóstenes Frazão, apareceram
os sambas Eu vou pra Vila, Gago apaixonado, Malandro
medroso e Quem dá mais? (ou Leilão
do Brasil), e a marcha Dona Araci; em Mar de rosas,
de Gastão Penalva e Velho Sobrinho, os
sambas Cordiais saudações, Mulata
fuzarqueira e Mão no remo (com Ary Barroso).
Ainda como componente do Bando de Tangarás,
estreou na Rádio Educadora; depois de passar
pela Mayrink Veiga, nesse ano de 1931 atuou na
Rádio Philips, em que trabalhou como contra-regra
do Programa Casé, apresentando-se também
como cantor, ao lado de Almirante, Patrício
Teixeira, Marília Batista e João
de Barro. Formando com Lamartine Babo e Mário
Reis o conjunto Ases do Samba, apresentou- se
em São Paulo SP; o sucesso obtido animou-o
a excursionar ao Sul do país, com Mário
Reis. Em Porto Alegre RS exibiram-se no Cine Teatro
Imperial com Francisco Alves, o pianista Nonô
e o bandolinista Peri Cunha. Voltaram ao Rio de
Janeiro em junho de 1932, depois de apresentações
em cidades gaúchas, Florianópolis
SC e Curitiba PR.
Convidado
por Francisco Alves, passou a integrar, juntamente
com Ismael Silva, um trio que participou de diversas
gravações na Odeon, usando os nomes
de Turma da Vila, Gente Boa e Bambas do Estácio.
Formaram também uma tripla parceria, na
qual, segundo consta, Francisco Alves teria entrado
sobretudo com seu prestígio de cantor,
embora seu nome apareça como co-autor,
sendo as primeiras, surgidas em 1932, os sambas
Adeus e Uma jura que fiz, e a marchinha Assim,
sim!. Somente com Ismael Silva, lançou
11 composições, entre as quais os
sambas Para me livrar do mal (1932), Ando cismado
(1933) e Quem não quer sou eu (1933), gravando
com ele diversas dessas composições
na Odeon. O ano de 1932 marcou ainda o início
de outra parceria responsável por sucessos
antológicos, iniciada quando conheceu na
Odeon o compositor paulista Vadico. Juntos fizeram
Feitio de oração (1933), Feitiço
da Vila (1934), Conversa de botequim (1935) e
muitas outras, em que apareceu como letrista.
O ano de 1933 é dos mais fecundos da vida
do compositor, registrando mais de 30 músicas
gravadas. Além dos sucessos carnavalescos
Até amanhã, Fita amarela e Vai haver
barulho no chatô (com Valfrido Silva), outras
produções importantes desse ano
foram os sambas Onde está a honestidade?,
O orvalho vem caindo (com Kid Pepe), Três
apitos e Positivismo (com Orestes Barbosa). No
mesmo ano teve início a polêmica
com Wilson Batista, em torno da qual seriam produzidos
diversos sambas famosos: Lenço no pescoço
(Wilson Batista) fazia a apologia do sambista
malandro, imagem que contestou com Rapaz folgado;
Wilson Batista retrucou com Mocinho da Vila, encerrando
a primeira fase da polêmica, que continuou
depois de algum tempo com novos sambas de parte
a parte.
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Episódios do folclore musical
brasileiro: a polêmica entre Noel Rosa e
Wilson Batista.
Em 1934 excursionou com Benedito Lacerda, Russo
do Pandeiro, Canhoto e outros componentes do grupo
Gente do Morro. De volta ao Rio de Janeiro, em
junho de 1934 conheceu num cabaré da Lapa
a dançarina Ceci (Juraci Correia de Araújo),
de 16 anos (foto ao lado), a grande paixão
de sua vida e a inspiradora de muitos sambas:
Pra que mentir (com Vadico), O maior castigo,
Só pode ser você (com Vadico), Quantos
beijos (com Vadico), Quem ri melhor, Cem mil réis
(com Vadico) e Dama do cabaré e Último
desejo. Ainda em 1934 a marcha Linda pequena (com
João de Barro) foi gravada por João
Petra de Barros; a música, com a letra
ligeiramente alterada por João de Barro,
foi gravada depois por Sílvio Caldas com
o nome de Pastorinhas, vencendo o concurso carnavalesco
de 1938, promovido pela prefeitura do então
Distrito Federal.
Apesar da notória paixão por Ceci,
casou com Lindaura, em 1934. Essa união
não alterou em nada sua vida boêmia
e as noitadas na Lapa, que acabaram por comprometer
sua saúde. Em janeiro de 1935, com lesão
nos dois pulmões, foi obrigado a se retirar
do Rio de Janeiro para tratamento, indo para Belo
Horizonte MG, onde continuou a boêmia, freqüentando
bares e o meio artístico da cidade, e apresentou-se
na Rádio Mineira. Com a morte do pai no
mesmo ano, voltou para o Rio de Janeiro.
Ainda em 1935, Araci de Almeida gravou seu samba
Riso de criança, dando início a
uma série de gravações que
a tornaram uma de suas principais intérpretes.
Ingressou então na Rádio Clube do
Brasil, onde elaborou o programa humorístico
Clube da Esquina, para o qual escreveu revistas
radiofônicas que alcançaram sucesso:
O barbeiro de Niterói, paródia da
ópera II Barbieri di Siviglia, de Gioacchino
Rossini (1792-1868), e Ladrão de galinha,
em que utilizou músicas populares da época,
além de A noiva do condutor, terminada
em 1936 pelo maestro Arnold Glückmann, autor
dos arranjos. Foi convidado pela produtora Carmen
Santos para escrever músicas para o filme
Cidade-mulher, dirigido por Humberto Mauro; e
compôs então a marcha Cidade-mulher,
a valsa Numa noite a beira-mar e os sambas Dama
do cabaré, Maria Fumaça, Morena
sereia (com José Maria de Abreu) e Tarzan
(O filho do alfaiate) (com Vadico).
Prosseguia a polêmica com Wilson Batista,
que lançou Conversa fiada, respondendo
ao seu Feitiço da Vila (com Vadico), de
1934; contra-atacou com Palpite infeliz (1935),
mas não respondeu a dois outros sambas,
Frankenstein da Vila e Terra de cego.
Da produção de 1935 destacam-se
ainda os sambas João Ninguém, Cansei
de implorar (com Arnold Glückmann), Conversa
de botequim (com Vadico) e a marcha Pierrô
apaixonado (com Heitor dos Prazeres). Em 1936
produziu uma única composição,
o samba Você vai se quiser, que gravou em
dupla com Marília Batista, e que foi um
de seus grandes êxitos naquele ano, ao lado
de O 'x' do problema, gravado por Araci de Almeida
e incluído na revista Rio follie (Jardel
Jércolis, Geysa Boscoli e J. Otaviano)
e De babado (com João Mina), gravado por
Marília Batista. Ainda em 1936, Não
resta a menor dúvida (com Hervé
Cordovil) e Pierrô apaixonado foram incluídas
na trilha sonora do filme Alô, alô,
Carnaval, de Ademar Gonzaga.
Em fevereiro de 1937, viajou para Nova Friburgo
RJ. Apesar da doença, apresentou-se no
cinema local e freqüentava os bares da cidade.
De volta ao Rio de Janeiro em março, compôs
Último desejo (gravado por Araci de Almeida),
e logo em seguida o samba Eu sei sofrer, sua última
composição, gravada por Araci de
Almeida e Benedito Lacerda exatamente no dia de
sua morte.
Em abril viajou novamente, para Barra do Piraí
RJ, mas voltou às pressas, em estado muito
grave. A 4 de maio morreu em Vila Isabel, aos
26 anos, deixando 230 composições
(mais as que vendeu).
Lindaura
chora sobre o túmulo de Noel logo após
o sepultamento, em 1937. O mito nunca morreu no
meio do povo, mas partiu deixando uma grande lacuna
na vida de sua jovem viúva.
O Feitiço da Vila
"Vila Isabel veste luto/ pelas esquinas escuto
/ violões em funeral/ choram bordões
choram primas/ soluçam todas as rimas/
numa saudade imortal/ pelas ruas escondida/ cheia
de crepes vestida/ a lua fica a chorar/ e por
onde a lua chora/ goteja, goteja agora/ nos oitis
do Boulevard/ adeus cigarra vadia/ que em toda
a sua agonia/ cantava para morrer.."(trecho
de "Violões em funeral" de Sílvio
Caldas e Sebastião Fonseca).
Noel Rosa era um pândego, quase um humorista,
com suas letras irônicas, sarcásticas,
quase satíricas. Nas décadas de
20 e 30, ele alegrará o bairro de Vila
Isabel, a cidade do Rio de Janeiro e o Brasil.
Sua música inovará e, ainda assim,
será aceita até pelos conservadores,
que não resistirão e deixarão
um sorriso, ainda que leve, ir se formando nos
lábios, quando o rádio tocar Gago
Apaixonado, Que horas são? ou Com que roupa?.
Será um compositor popular, mas, talvez,
a figura que melhor se encaixe a ele seja a de
um palhaço. Palhaço daqueles que
fazem questão de se maquiar colocando uma
lágrima no rosto e, a partir dela, ir quebrando
lentamente as resistências, ir conduzindo
a imaginação de quem ouve, até
que surja o sorriso.
A lágrima de Noel sempre esteve estampada
em sua face. Surgiu em seu parto: uma operação
difícil, resolvida a fórceps, que
mobilizou dois médicos e teve como principal
conseqüência uma fratura no maxilar
inferior do bebê. Mas uma fratura que não
foi percebida de imediato e que só seria
notada meses depois, passado tempo demais para
uma correção definitiva. A criança
ficará marcada para o resto da vida. Porém,
mais profunda que a deformação física,
será a de formação no espírito.
Noel carregará um grande complexo. A linha
reta que une seu pescoço ao lábio
inferior, quase sem a presença do queixo,
será responsável por várias
amarguras que o acompanharão por todos
os caminhos da vida.
Nesse caminhos, Noel Rosa passará inúmeras
vezes pelo bulevar 28 de setembro. Em 1932, esta
já é a principal rua do bairro de
Vila Isabel, zona norte do Rio de Janeiro. Noel
não passa despercebido. Ele tem as costas
ligeiramente encurvadas, está sempre acompanhado
de um violão e é assim que as pessoas
que estão nos bares, nos botequins e nas
portas de casas o reconhecem e o cumprimentam.
E ele pára para conversar e alonga o tempo
do trajeto, que o leva até o ponto do bonde
e, de lá, para o Café Nice, no centro,
ou para os bares e prostíbulos da Lapa
ou do Mangue, na zona norte.
Em 1932, Noel Rosa já é um compositor
popular. No carnaval passado, o de 1931, sua música
Com que roupa? foi a mais executada. A partir
daí, Noel incorporaria o bairro de Vila
Isabel ao cenário artístico brasileiro.
Ele mudou a vida daquela comunidade. Transformou
aquelas ruas, casas, pessoas e botequins, tipicamente
cariocas e de classe média, em imagens
que passaram a povoar a imaginação
coletiva brasileira a partir de 1929, quando,
aos 19 anos, ele começou, efetivamente,
a produzir música. Noel aos 21 anos já
põe em prática um estilo de vida
boêmio que o levaria ao sucesso e à
fama, mas, aos poucos, também lhe tiraria
a vida.
Noel já havia começado a fazer diferença
no bairro onde nasceu e morou ainda na infância.
Era uma criança inquieta, que sempre chegava
em casa com as roupas rasgadas, o corpo suado
das brincadeiras da rua. Sempre a rua, que seria
mais seu lar que sua própria casa. Seria
na rua que Noel construiria boa parte de sua personalidade.
Ali, ele trataria com os personagens da vida cotidiana,
humilde, miserável, fanfarrona e malandra
do Rio de Janeiro de então. A criança,
que desde cedo aprendera a conviver com o infortúnio
do queixo, com o infortúnio do suicídio
da avó enforcada numa arvore do quintal,
o mesmo Noel que, anos mais tarde, enfrentaria
um segundo suicídio: o de seu pai.
O artista abraçaria o mundo de Vila Isabel
e, a partir dele, construiria um novo, no qual
as formas se aproximariam do real mas seriam,
de algum modo, mais fluidas. O malandro das ruas
seria transformado por Noel em símbolo.
Os olhos do artista se lançariam sobre
o dia-a-dia e encontrariam as ironias, as anedotas,
as brincadeiras, os amores e as desilusões
de todo dia. Mas Noel Rosa era mesmo um pândego,
incapaz de levar a vida dentro de padrões
normais de bom comportamento da época.
Quando fez dezessete anos, foi convocado pelo
exército e serviu no Tiro de Guerra. Sua
passagem pelos quartéis ficou marcada por
várias repreensões, em função
das paródias que ele costumava inventar
para as quadrinhas cantadas durante as marchas.
Ainda no Colégio São Bento onde
ele completou seus estudos de segundo grau, ficou
famoso o episódio em que ele, Noel, seguia
à frente de um desfile, comandando um pelotão
de alunos. Ele marchava firme, com a espada desembainhada,
apontada para o alto, e os colegas o acompanhavam.
Mas, de repente, ele começou a dançar
e a rebolar e os outros caíram na gargalhada
e dispersaram a parada. Valeu uma suspensão.
Depois do exército, estava decidido a realizar
o sonho de sua família e se tornar médico.
Prestou o vestibular e não passou. No ano
seguinte, tentou novamente e foi aprovado. Começou
a cursar, mas nessa época, o samba já
o absorvia por inteiro. Foi um período
em que ele ficou em dúvida sobre que caminhos
deveria adotar para continuar a vida. Pensava
em se dividir, fazer medicina e continuar sambista.
Mas, logo percebeu que a mistura era impossível.
A Medicina foi abandonada, mas deixou lembranças,
como a letra do samba Coração, uma
música anatômica, como afirma o próprio
Noel.
Essa mistura de deboche e inconseqüência
foi a marca, também, de seu casamento.
Por volta de 1930, sua mãe, Dona Martha,
já havia transformado a casa da família
em uma escola e uma de suas alunas era uma garota
chamada Lindaura. E tudo começou com Noel
esperando por ela no final das aulas, a pretexto
de acompanhá-la até em casa. Como
todo namoro, evoluiu para as mãos dadas,
os beijinhos e logo, mesmo contra a vontade da
mãe de Lindaura, ela já estava casada
aos 13 anos de idade. Casada com um Noel 11 anos
mais velho que ela, já sambista, já
boêmio. Lindaura conta que o casamento foi
um misto de alguns momentos hilários e
de muitos momentos tristes. Ela se lembra da vez
em que os dois combinaram ir ao cinema no centro.
Antes, decidiram parar numa leiteria para comer
arroz doce. Sentado de frente para a rua, Noel
logo avistou algum conhecido e saiu para conversar.
Não voltou. Lindaura ficou lá, esperando,
em vão, sem dinheiro nenhum para pagar
a conta ou tomar o bonde. Foi socorrida pelo garçom
que conhecia Noel e lhe emprestou o dinheiro.
E ela voltou para casa, dez da noite — o
que para os padrões da época era
de madrugada —, decidida a nunca mais sair
de casa com o marido.
Mas havia o outro lado de Noel. Que deixava versos
e bilhetes de amor presos às cordas do
violão, para que ela os encontrasse pela
manhã, quando ele ainda não havia
chegado em casa vindo da noite de boemia. A mesma
noite e a mesma boemia que, misturadas ao álcool,
foram alguns dos responsáveis por seus
pulmões perfurados pela tuberculose, que
acabaria levando-o à morte, quando tinha
apenas 26 anos, quatro meses e vinte e três
dias. Essa foi sempre a marca de Noel. Sua criação
não requeria uma condição
especial. À noite, a bebida e a poesia
iam se misturando e se transformando em canções.
Não havia rituais. Sua música não
pedia estados de torpor, adormecimento ou euforia.
Seus elementos eram outros. E, talvez, tivessem
como únicos requisitos o lugar: era na
rua que eles surgiam e era nos botequins que eles
cresciam e ganhavam a cidade.
No caso de Noel, a música brotava espontaneamente.
As sim, quase a esmo. Era uma atividade tão
corriqueira quanto conversar com os amigos. Começava
cantarolando, as palavras iam se misturando aos
sons e pronto! Mais um samba estava terminado.
Para Noel, a música sempre foi uma solução.
Era a música que lhe aliviava a carga da
deformação na face, lhe garantia
acesso fácil às mulheres, que, de
outra maneira, poderiam desprezá-lo. Era
a música que garantia uma certa complacência
da família para com seu comportamento até
certo ponto irresponsável e lhe abria espaços
no meio da sociedade de então. Era por
meio da música que ele dava vazão
à sua personalidade irreverente e ambígua.
Noel Rosa era aquele tipo especial de pessoa que
carrega uma tristeza nos olhos mas consegue melhorar
um pouco a vida dos que estão em volta.
A trajetória de Noel foi um caminho de
duas vias. De um lado, o trágico de sua
vida pessoal. De outro, a alegria dos versos e
das músicas. Quando ele morreu, já
havia virado mito, estava cravado no imaginário
popular e suas músicas faziam coro na memória
das pessoas. E na memória da MPB.
Cifras e letras de músicas
A.b.surdo, Adeus, AEIOU, Araruta, Até amanhã,
Boa viagem, Cem mil réis, Coisas nossas,
Com mulher não quero mais nada, Com que
roupa?, Conversa de botequim, Cor de cinza, Coração,
Cordiais saudações, Dama do cabaré,
De babado, Espera mais um ano, Eu sei sofrer,
Eu vou pra Vila, Feitiço da Vila, Feitio
de oração, Filosofia, Fita amarela,
Fui louco.
Gago apaixonado, João Ninguém, Julieta,
Maria Fumaça, Mentir, Minha viola, Mulato
bamba, Mulher indigesta, Na Bahia, Não
tem tradução, O maior castigo, O
orvalho vem caindo, O que é que você
fazia?, O 'x' do problema, Onde está a
honestidade?, Palpite infeliz, Para atender a
pedido, Para me livrar do mal, Pastorinhas, Pela
décima vez, Picilone, Pierrô apaixonado,
Pra que mentir, Provei
.
Quando o samba acabou, Quantos beijos, Que bom,
felicidade que vai ser, Que se dane, Quem não
quer sou eu, Quem ri melhor, Rapaz folgado, Saí
da tua alcova, Século do progresso, Seja
breve, Sem tostão, Só pode ser você,
Tarzan (O filho do alfaiate), Tipo zero, Três
apitos, Triste cuíca, Último desejo,
Uma jura que fiz, Vai haver barulho no chatô,
Você só... mente , Você vai
se quiser.
Obra completa
A-B-Surdo (c/Lamartine Babo), marcha, 1930; A-E-l-O-U
(c/Lamartine Babo), marchinha, 1931; Adeus (c/Francisco
Alves e Ismael Silva), samba, 1932; Agora, samba,
1931; Alô, beleza, s.d.; Amar com sinceridade
(c/Sílvio Pinto) samba, s.d.; Amor de parceria,
samba-choro, 1933; Ando cismado (c/lsmael Silva),
samba, 1933; Ao meu amigo Edgar (João Nogueira),
samba, 1935/1976; Araruta (c/Orestes Barbosa),
samba, 1932; Arranjei um fraseado, samba, 1933;
Assim, sim (c/Francisco Alves e Silva), marcha,
1932; Atchim (c/Hamilton Sbarra), marcha, 1935/1969;
Até amanhã, samba, 1933; Baianinha,
choro, 1929; Balão apagado (c/Marília
Batista), samba, 1936/1961; Belo Horizonte, paródia,
1935; Boa viagem (c/Ismael Silva), samba, 1934;
Boas tensões (c/Arnold Glückmann),
valsa, 1935; Bom elemento (c/Quidinho), samba,
1930; Brincadeira de roda, s.d.; Cabrocha do Rocha
(c/Sílvio Caldas), samba, s.d.; Cadê
trabalho? (c/Canuto), samba, 1932; Canção
do galo capão, marcha-paródia, 1935;
Cansei de implorar (c/Arnold Glückmann),
samba, 1935; Cansei de pedir, samba, 1935; Canta
Colombina (c/Jorge Faraj), 1935; Capricho de rapaz
solteiro, samba 1933; Cem mil-réis (ou
Você me pediu) (c/Vadico), samba, 1936;
Choro, choro, s.d.; Chuva de vento, embolada,
1937; Cidade-mulher, marcha, 1936; Coisas do sertão,
samba, 1929; Coisas nossas (ou São coisas
nossas), samba, 1932; Com mulher não quero
mais nada (c/Sílvio Pinto), samba, s.d.;
Com que roupa?, samba, 1930; Condena o teu nervoso,
paródia, 1935; Contraste, samba, 1933;
Conversa de botequim (c/Vadico), samba, 1935;
Cor de cinza, samba, 1933; Coração,
samba, 1933; Cordiais saudações,
samba, 1931; Cumprindo a promessa, 1925; Dama
do cabaré, samba, 1936; De babado (c/João
Mina), samba, 1936; De qualquer maneira (c/Ari
Barroso), samba, 1933; Deixa de ser convencida
(c/Wilson Batista), samba, 1935; Devo esquecer
(c/Gilberto Martins), samba, 1930; Disse-me adeus,
samba, 1935; Disse-me-disse, samba-choro, 1935;
Dona Araci, marcha, 1930; Dona do lugar (c/lsmael
Silva e Francisco Alves), samba, 1933; Dona do
meu nariz, paródia, 1933; Dona Emilia (c/Glauco
Viana), marcha, 1930; É bom parar (c/Rubens
Soares), 1936; É difícil saber fingir,
s.d.; Envio essas mal traçadas, paródia,
1935; É peso, samba, 1932; É preciso
discutir, samba, 1931; Escola de malandro (c/Ismael
Silva e Orlando Luís Machado), samba, 1932;
Espera mais um ano, samba, 1932; Esquecer e perdoar
(c/Canuto), samba, 1931; Esquina da vida (ou Na
esquina da vida) (c/Francisco Matoso), samba,
1933; Estamos esperando, samba, 1932; Estátua
da paciência (c/Gerônimo Cabral),
fox-trot, 1931; Este meio não serve (c/Donga),
samba, 1936; 5 da manhã (c/Ari Barroso),
samba, 1933; Eu agora fiquei mal (c/Antenor Gargalhada),
samba, 1931; Eu não, preciso mais do seu
amor, s.d.; Eu queria um retratinho de você
(c/Lamartine Babo), samba, 1933; Eu sei sofrer,
samba, 1937; Eu vi num armazém, paródia,
1935; Eu vou pra Vila, samba, 1930; Faz de conta
que eu morri (c/Henrique Gonzales), s.d.; Faz
três semanas, paródia, s.d.; Feitiço
da Vila (ou Feitiço sem farofa) (c/Vadico),
samba, 1934; Feitio de oração (c/Vadico),
samba-canção, 1933; Felicidade (ou
Que bom, felicidade que vai ser) (c/René
Bittencourt), samba, 1932; Festa do céu,
toada, 1930; Filosofia (c/André Filho),
samba, 1933; Finaleto (c/Arnold Glückmann),
samba canção, 1935; Fiquei rachando
lenha (c/Hervé Cordovil), samba, 1934;
Fiquei sozinha (c/Adauto Costa), marcha-rancho,
1931; Fita amarela, samba, 1933; Fita de cinema,
1935; Foi ele, paródia, 1935; Fui louco
(c/Bide), samba, 1933; Fui uma vez, paródia,
s.d.; Gago apaixonado, samba, 1930; A Genoveva
não sabe o que diz, paródia, 1935;
Gosto mas não é muito (c/Francisco
Alves e Ismael Silva), marcha, 1931; Habeas-corpus
(c/Orestes Barbosa), samba, 1933; Ingênua
(c/Glauco Viana), valsa, 1930; Isso não
se faz (c/Ismael Silva e Francisco Alves), samba,
1933; Já não posso mais (c/Canuto,
Puruca e Almirante), samba, 1932; Já sei
que tens novo amor (c/Ismael Silva e Francisco
Alves), samba, 1933; João Ninguém,
samba-canção, 1935; João
teimoso (c/Marília Batista), samba, s.d.;
O Joaquim é condutor (c/Arnold Glückmann),
marcha, 1935; Julieta (c/Frazão), fox-trot,
1931; Juju, marcha, 1935; Lataria (c/João
de Barro e Almirante), marcha, 1930; Leite com
café (ou Morena ou loura) (c/Hervé
Cordovil), samba, Linda pequena (c/João
de Barro), marcha, 1934; Lira abandonada, canção,
1930; Madame honesta, s.d.; O maior castigo que
eu te dou, samba, 1934; Mais um samba popular
(ou Fiz um poema) (c/Vadico), samba, 1934; Malandro
medroso, samba, 1930; Mão no remo (ou Iça
a vela) (c/Ari Barroso), samba, 1931; Marcha da
prima... Vera, 1934; Marcha do dragão (c/Vadico),
1936; Mardade de cabocla, canção
sertaneja, 1931; Maria Fumaça, samba, 1936;
Mas como... outra vez? (c/Francisco Alves), marcha,
1932; Mas quem te deu tudo isso?, 1937; A melhor
do planeta (c/Almirante), samba, 1934; Menina
dos meus olhos (c/Lamartine Babo), marcha, 1936;
Mentir (ou Mentira necessária), samba,
1933, Mentiras de mulher, samba, 1932; Meu barracão,
samba, 1933; Meu bem, samba, 1931; Meu sofrer
(ou Queixumes) (c/Henrique Brito), canção,
1930; Minha viola, embolada, 1930; Morena sereia
(c/José Maria de Abreu), marcha, 1936;
Muito riso, pouco siso, s.d.; Mulata fuzarqueira
(ou Fuzarqueira), samba, 1931; Mulato bamba (ou
Mulato forte), samba, 1931; Mulher indigesta,
samba, 1932; Na Bahia (c/José Maria de
Abreu), samba, 1936; Não brinca não
(ou E não brinca não), embalada,
1932; Não digas (c/Ismael Silva e Francisco
Alves), samba, 1933; Não faz, amor (c/Cartola),
1932; Não há castigo (c/Donga),
samba, 1932; Não me deixam comer, marcha,
1932; Não morre tão cedo!, s.d.;
Não quero mais (c/Nonô), samba, 1933;
Não resta a menor dúvida (c/Hervé
Cordovil), marcha, 1935; Não tem tradução
(ou Cinema falado), samba, 1933; Nega (c/Lamartine
Babo), samba, 1931; Negócio de turco, paródia,
s.d.; Nem com uma flor (c/Francisco Alves), samba,
1933; No baile da flor-de-lis, samba, s.d.; Nos
três dias de folia, samba, 1937; Numa noite
à beira-mar, valsa, 1936; Nunca dei a perceber
(c/Ismael Silva e Francisco Alves), samba, 1933;
Nunca... jamais, samba, 1931; Nuvem que passou,
samba, 1932; Onde está a honestidade?,
samba, 1933; O orvalho vem caindo (c/Kid Pepe),
samba, 1933, Paga-me esta noite, paródia,
1934; Palpite (c/Eduardo Souto), marcha, 1932;
Palpite infeliz, samba, 1935; Para atender a pedido,
samba, s.d., Para bem de todos nós (c/Arnold
Glückmann), marcha, 1935; Para me livrar
do mal (c/Ismael Silva), samba, 1932; Pastorinhas
(c/João de Barro), marcha-rancho, 1934;
Pela décima vez, samba, 1935; Pela primeira
vez (c/Cristóvão de Alencar), samba,
1936; Perdão, meu bem (c/Ernani Silva),
samba, s.d.; Perdoa este pecador (c/Arnold Glückmann),
fox-trot, 1935; Perna bamba (c/Renato Murce),
samba, 1930; Pesado treze, paródia, 1931;
Picilone, samba, 1931; Pierrô apaixonado
(c/Heitor dos Prazeres), marcha, 1935; Por causa
da hora, samba, 1931; Por esta vez passa, samba,
1931; Por você sou capaz, s.d.; Positivismo
(ou Araruta) (c/Orestes Barbosa), samba, 1933;
Pra esquecer, samba, 1933; Pra lá da cidade,
s.d.; Pra que mentir? (c/Vadico), samba, 1934;
Prato fundo (c/João de Barro), marcha,
1933; Prazer em conhecê-lo (c/Custódio
Mesquita), samba, 1932; Precaução
inútil, paródia, 1935; Pregando
no deserto (c/Nonô), samba, 1933; Primeiro
amor (c/Ernâni Silva), samba, 1932; Proezas
de seu Fulano, s.d.; Provei (c/Vadico), samba,
1936; O pulo da hora (ou Que horas são?),
samba, 1931; Qual a razão? (c/Hélio
Rosa), s.d.; Qual foi o mal que eu te fiz? (c/Cartola),
samba, 1932; Quando o samba acabou, samba, 1933;
Quando pelas aulas ando, paródia, 1927;
Quantos beijos (c/Vadico), samba, 1936; Que a
terra se abra, paródia, 1935; Que baixo
(c/Nássara), marcha, 1936; O que é
que você fazia? (c/Hervé Cordovil),
marcha, 1935; Que orgulho é este? (c/Alfredo
Lopes Quintas), samba, s.d.; Que se dane (c/Jota
Machado), samba, 1931; Queimei teu retrato (c/Henrique
Brito), samba-canção, s.d.; Quem
dá mais? (ou Leilão do Brasil),
samba-humorístico, 1930; Quem não
dança, samba, 1932; Quem não quer
sou eu (c/Ismael Silva), samba, 1933; Quem parte,
não parte sorrindo, s d., Quem ri melhor,
samba, 1936; Quero falar com você (c/Lauro
dos Santos), samba, 1932; Rapaz folgado, samba,
1933; A razão dá-se a quem tem (c/Francisco
Alves e lsmael Silva), samba, 1933; Remorso, samba,
1934; Retiro de saudade (c/Nássara), marcha-rancho,
1934; Rir (c/Cartola e Francisco Alves), samba,
1932; Riso de criança (ou Seu riso de criança),
samba, 1935; Roubou, mas não leva, paródia,
1935; Rumba da meia-noite (c/Henrique Vogeler),
rumba, 1931; Saber amar (c/Alfredo Lopes Quintas),
samba, 1935; Saí da tua alcova, canção,
s.d.; Saí do presídio, s.d.; Salada
russa (c/Renato Murce), embolada, 1930; Samba
da boa vontade (c/João de Barro), samba,
1931; Se a sorte me ajudar (c/Germano Augusto
Coelho), samba, 1934; Século do progresso,
samba, 1934; Sei que vou perder (c/Alfredo Lopes
Quintas e Nonô), samba, 1933; Seja breve,
samba, 1933; Sem tostão (c/Artur Costa),
samba, 1932; Seu Jacinto, marcha, 1933; Seu Zé,
paródia, 1935; Silêncio de um minuto,
samba, 1935; Sinhá Ritinha (c/Moacir Pinto
Ferreira), canção sertaneja, 1931;
Só pode ser você (ou Ilustre visita)
(c/Vadico), samba, 1935; Só pra contrariar
(c/Manuel Ferreira), samba, 1932, Só você,
s.d.; O sol nasceu pra todos (c/Lamartine Babo),
samba, 1933; Sorrindo sempre (c/Lauro dos Santos,
Ismael Silva e Francisco Alves), samba, 1933;
Suspiro (c/Orestes Barbosa), samba, s.d.; Tarzã,
o filho do alfaiate (c/Vadico), samba-choro, 1936;
Tenentes do diabo (c/Visconde de Bicuiba e Henrique
Vogeler), marcha, 1932; Tenho raiva de quem sabe
(c/Kid Pepe e Zé Pretinho), samba, 1934;
Tenho um novo amor (c/Cartola), samba, 1932; Tipo
zero, samba, 1934; Três apitos, samba, 1933;
Triste cuíca (c/Hervé Cordovil),
samba, 1934; Tudo nos une (c/Arnold Glückmann),
marcha, 1935; Tudo pelo teu amor (c/Arnold Glückmann),
samba-canção, 1935; Tudo que você
diz, samba, 1933; Último desejo, samba,
1937; Uma coisa ficou (c/Hervé Cordovil),
1933; Uma jura que eu fiz (c/Francisco Alves e
lsmael Silva), samba, 1932; Vagolino de cassino,
paródia, s.d.; Vai haver barulho (c/Francisco
Alves), samba, 1933; Vai haver barulho no chatô
(c/Valfrido Silva), samba, 1933; Vai para casa
depressa (ou Cara ou coroa) (c/Francisco Matoso),
samba, 1933; Vaidosa, samba, 1931; Vejo amanhecer,
samba, 1933; Verdade duvidosa, samba, s.d.; Vingança
de malandro, samba-canção, 1930;
Vitória (c/Nonô), samba, 1932; Você
é um colosso (ou Pisando no meu calo),
samba, 1934; Você foi meu azar (c/Artur
Costa), samba, 1931; Você, por exemplo,
marcha, 1933; Você sabe de onde eu venho?,
paródia, 1928; Você só...
mente (c/Hélio Rosa), fox-trot, 1933; Você
vai se quiser, samba, 1936; Voltaste pro subúrbio
(ou Voltaste), samba, 1934; Vou fazer um samba
(c/Russo do Pandeiro), samba, 1934; Vou te ripá
1, samba, 1930; Vou te ripá 2, samba, 1930;
O x do problema, samba, 1936; Yolanda, samba,
1935.
Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira
- Art Editora PubliFolha; MPB Compositores - Noel
Rosa - Editora Globo; Site Cifrantiga - Cifras
e História da MPB.