“Recebemos uma denúncia que nesta macumba se canta Samba!” – Esta era a desculpa do Chefe de Polícia que interrompia e prendia as pessoas, na década de 20, segundo depoimento para o MIS, de João da Baiana. Era a declaração de preconceito da época contra o ritmo até então, feito apenas por negros.
O Berço do Samba, sempre falado, lembra anos 20 e 30, Sinhô e Tia Ciata, Donga e Pelo Telefone, Deixa Falar e a Praça Onze. Neste “berço” se embalaram o corta-jaca, irmão mais velho do cateretê, do maxixe e do samba, este sim o “dono” até hoje do berço. Mas, o samba cresceu, virou samba-moleque, jocoso, até homem feito e sério, e agora gaba-se com a autoridade dos senhores de pele escura e cabelos e bigodes brancos das velhas-guardas. Curioso é que o samba quando “surgiu”, ou seja, quando enfim foi gravado como gênero, tinha a estrutura musical do maxixe, e hoje, quando ouvimos as FM’s que se dizem de samba, nem de longe lembram o ritmo e melodia imortalizados por Cartola, Candeia ou Geraldo Pereira. O que se ouve é um romantismo barato e mal feito com a alcunha de “samba”. Não entendo porque não investir em horários, nestas mesmas rádios, pra tocar Moacyr Luz, Wanderlei Monteiro, Luiz Carlos da Vila, e outros mais novos e não menos talentosos, pois estes também compõem com extremo caráter urbano, atual, bem carioca na essência, e quem vai dizer que não possa também conquistar rapidamente a preferência do público? Paulinho da Viola já fez até trilha de abertura de novela das oito e foi um tremendo sucesso, sem perder a mais que óbvia qualidade de suas composições. Pode até ser chato insistir na mesma tecla, mas que tal sairmos um pouco dos guetos, tipo Sacadura Cabral, Beco do Rato, etc, e irmos pra galera? Não vejo nada demais nisso. Repito a frase do Dudu Nobre, que em uma entrevista, perguntado se era cobrado pelos “puristas” por tocar em rádios ditas populares, respondeu: Chega de tocar embaixo dos Arcos pra quarenta pessoas!
Todo Carnaval tem seu fim...
Como diria os Los Hemanos, “deixa eu brincar de ser feliz...” Mas está difícil, como não lembrar do intérprete rabugento e genial compositor Jamelão? E do não menos excelente intérprete Aroldo Melodia? Além de “seu” Oscarino, junto com Molequinho, fundador do Império Serrano. Isso só pra ficar nas “baixas” eternas do samba. E, em relação ao espetáculo das escolas de samba, como aturar as repetições dos desfiles luxuosos já que Paulo Barros, o mais surpreendente dos carnavalescos está fora do grupo especial no carnaval 2009? Vamos apostar na criatividade dos que ficaram, é claro, mas o carnaval 2009, sem dúvida, vai sentir falta destes quatro (tomara que pare por aqui!) personagens.