Em um bar que tenha sobrado avarandado, escadaria
de madeira, e um clima de Rio antigo por toda à
parte, só poderíamos estar falando
da Lapa e do Centro da cidade, certo? Errado. Pois
o Bom Sujeito tem tudo isso e fica em plena Barra
da Tijuca. Mais precisamente na Estrada da Barra
da Tijuca, numa área conhecida como Barrinha.
Talvez a parte mais descontraída deste bairro
que tem a frieza, sofisticação e a
pouca tradição como marcas registradas.
Pois o Bom Sujeito contraria todas essas “marcas”
da Barra. É como se o morador da Barra estivesse
na Lapa, com a diferença que não sai
do bairro, nem precisa correr riscos atravessando
túneis nas madrugadas cada vez mais arriscadas
do Rio.
A tal escadaria, de que falei a pouco, é
uma viagem musical no tempo. Original, foi decorada
com as capas dos sambistas em vinil, de discos memoráveis,
que pertencem a melhor estirpe do samba e da música
brasileira. É uma verdadeira galeria de arte
e de sentimento. “A intenção
é fisgar pela memória e pelo coração,
é claro!”, explica Márcia Moreno,
Produtora Musical da casa.
Discos que vão sendo, à medida que
se chega no salão principal, substituídos
por fotos de alguns dos melhores momentos das noites
de rodas de samba na casa que em Dezembro, “dia
03” , como lembra Márcia, faz apenas
1 ano de existência. E, que ano! Foram realizadas
no Bom Sujeito, festas das mais animadas e concorridas
do mundo do samba. “A principal talvez tenha
sido o aniversário de 85 anos de Dona Ivone
Lara, a grande dama do samba. Foi uma honra para
nós”, se envaidece Márcia, que
continua, “foi, seguramente a noite mais cheia
da casa. Inclusive o Fantástico gravou aqui
com ela, tinha gente demais na porta, foi uma loucura
controlar tudo isso”.Pergunto então
se nessas ocasiões ela passou por alguma
situação inusitada: “Teve uma
na festa de aniversário da Beth Carvalho.
Esta foi uma festa fechada, em que ela reservou
a data para a comemoração. Foi inusitado
ver, no mesmo palco, sem ensaio algum, a própria
Beth, o Martinho da Vila, a Alcione e o Zeca Pagodinho!”,
recorda. “Inclusive”, continua, “mais
inusitado ainda, foi a chegada do Zeca. Embaixo
do Bom Sujeito, tem um botequim no térreo.
Havia uns batuqueiros no local, e o Zeca, espirituoso,
acompanhou a rapaziada ali mesmo, no botequim, e
não subia de jeito nenhum. Quando a Beth
chegou foi que ele subiu e aquela altura já
havia mais de uma centena de pessoas espremidas
no boteco vendo de surpresa, o maior sambista do
Brasil! Coisas do Zeca, mesmo”.
É, e “coisas” do Bom Sujeito
também. |