CONFETES E SERPENTINAS
RÁDIO BERÇO DO SAMBA

GRUPO BERÇO DO SAMBA

CANT0 CARIOCA

Negras Tradições
Capoeira quem é teu pai
Sou filha de bamba
Eu nasci do jongo
Sou africana irmã do samba
Irmã do Lundu, Candomblé, Macumba
Vim de Aruanda

Aniceto do Império

Há duas opiniões distintas sobre a cultura negra, que se debatiam na sociedade carioca na virada dos séculos XIX e XX. Uma enaltecia o que chamavam de “cultura nacional”, outra considerava “bárbara”, “incivilizada”, “sem som, nem tom”, etc. Assim como a capoeira, que mesmo proibida pelo código penal de 1860, é praticada e admirada pelas ruas. Da mesma forma aconteceu com o maxixe. A dança, praticada nos quintais das casas das tias baianas – como a lendária Ciata - nos bairros do Catumbi, Cidade Nova, Estácio e Gamboa, a chamada “pequena África no Rio de Janeiro”, por volta de 1870, era um misto de música africana - das origens do samba - com a música européia, e no início do século XX já era aceita por parte da sociedade. E, o que era apenas visto como coisa menor, feita por e para negros, começa a ganhar expressão de cultura nacional. Entretanto, esta idéia somente se consolida a partir dos anos 30, com os lançamentos dos ensaios de Gilberto Freire e Sérgio Buarque de Holanda, dentre outros, que trazem a cultura popular para a esfera intelectual. Os compositores Donga e Pixinguinha, por exemplo, tem suas obras reverenciadas e são autores que atingem um status, até então impensável para o samba. Mesmo que a música que faziam não seja o samba propriamente dito. Pixinguinha e os Oito Batutas executavam uma infinidade de ritmos, a maioria rurais, outros urbanos e até estrangeiros por influência do jazz, com a intenção clara de adaptá-las à festa e à dança.

A ação de intelectuais, chamados “mediadores culturais”, por levarem a música e a arte popular aos salões das elites, é responsável por um projeto de construção de uma identidade nacional. Daí chamarem especialmente de samba toda a música feita por negros.

É importante atentarmos também, para os múltiplos acontecimentos na cidade do Rio de Janeiro, que tiveram papel fundamental com a imagem de cidade concentradora da chamada identidade nacional e de difusão do samba. Politicamente favorecida, pois aqui se situava o poder nacional, o Rio era a capital da República, e os autores modernistas cariocas eram os que mais se aproximavam da cultura popular, ainda não conceituada como cultura de massa (alguns autores como Hermano Vianna adotam a expressão “pré-cultura de massa”). Apesar da falta do rótulo, bastava circular pelo Rio da primeira metade do século para “respirar” a cultura de massa em todos os cantos: era o teatro de revista, a imprensa insinuante, a literatura dos modernistas, os circos e o samba, que já respondia a uma necessidade de se ter uma música dançável e que exprimisse a efervescência de uma época.
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