
Diogo
Nogueira subiu ao palco do João Caetano
sem muito alarde. Com um pequeno atraso, apenas
30 minutos, e vestido sobriamente para um
sambista - sem os velhos e batidos trajes
tipo “malandro das antigas” (como
chapéu panamá, sapato branco,
essas coisas) – com jaqueta cinza, calça
esportiva e tênis, fazia a linha samba-rap
ou coisa parecida.
Bem, ainda que tente se aproximar de um publico
de samba mais jovem, o repertório oscila
entre o novo e o antigo, entre o bom samba
e o indefectível “pagode pras
rádios”.
O show abre com uma seleção
de sambas pra saudosista nenhum botar defeito.
Começa com uma sucessão de hits
do pai, João Nogueira (como as excelentes
Nó na Madeira e Batendo a Porta), passa
por Nelson Rufino (Vazio antigo sucesso na
voz do imperiano Roberto Ribeiro), Almir Guineto
(com a bonita, mas já muito regravada,
Lama nas Ruas), ate uma belíssima participação
do exímio violonista Marcel Powell,
filho do genial Baden, numa também
homenagem ao mestre do violão. A participação
do rapper Marcelo D2 é sintomática
e traduz o espírito jovem que Diogo
tenta imprimir em um estilo que insiste em
não se modernizar.
Pausa para mudança de roupa, bebericar
uma água, ajustar o som e os instrumentos,
e vem as novas musicas, entram inéditas
e boas composições de Toninho
Geraes e Wanderley Monteiro, e parcerias do
próprio Diogo com Flavinho Silva, como
Fé em Deus, com o tradicional coro
em refrão fácil e pegajoso,
provavelmente a música de trabalho
em rádios. E, vem então o momento
mais emocionante do show, a interpretação
em duo de Espelho com o pai, João Nogueira
pelo telão e continuado pela banda
e Diogo no palco. No fim da canção,
a platéia, de muitos famosos, aplaude
de pé.
No fim, a apoteótica participação
da Portela, escola de coração
de Diogo que foi o autor (junto com Ciraninho
e Celsinho de Andrade) do bom samba-enredo
vencedor de 2007, que tem o Pan como tema.
Nos agradecimentos, a apresentação
da super banda (com destaque para a presença
de Alceu Maia no cavaco e produção
musical), a lembrança aos mestres do
samba, e a sua nova gravadora, EMI, que proporcionou
a gravação do CD/DVD de estréia
do sambista. É um desafio, mas como
diz a letra de Samba pros Poetas (Diogo e
Ignácio Rios): “sambista de fato,
não se deixa esmorecer”.