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Diogo Nogueira lança CD/DVD no Canecão


 

 Diogo Nogueira é a prova de que “força nenhuma interfere o poder da criação”. Filho de bamba, criado no meio de grandes sambistas, o garoto, que queria ser jogador de futebol, amadurece no lançamento do seu DVD, no Canecão.

Bem mais solto do que na gravação, onde várias pausas foram feitas, Diogo mostrou que não só herdou o talento e o carisma do pai, como também pôde provar que não está ali só por ser filho do criador do Clube do Samba. “O corpo, a morte leva”, mas a voz de João Nogueira permanece. Não há como não reparar no mesmo timbre. Mas enquanto João preferia cantar sentadinho, Diogo arrisca uns passinhos de samba, levando ao delírio as fãs, e certamente, deixando sua esposa Milena, com os cabelos em pé!

Aos 26 anos e com 5 de estrada, levando na bagagem a participação, ao lado do pai, no lançamento do disco João de Todos os Sambas, de 1999, no Teatro Rival, Diogo seguiu o show com uma belíssima participação de outro herdeiro famoso, Marcel Powell, que homenageou o pai tocando Violão Vadio, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro. Os acordes iniciais são de arrepiar. A facilidade com que Marcel dedilha seu violão, nos traz ótimas lembranças. Uma nova versão de Canto de Ossanha, famoso afro samba de Baden e Vinicius, ganhou um brilho especial na combinação entre a percussão de Daniel Felix e a bateria de Sandro Araújo.

A familia é talentosa e Diogo homenageou sua tia Giza Nogueira, outra grande compositora, com um samba com a típica levada dos subúrbios cariocas.

“E eu que agoro moro nos braços da paz, ignoro o passado que hoje você me traz”

O público, até então, quieto, animou-se de vez, quando foram convidados a cantar juntos um grande sucesso de Nelson Rufino, eternizado pela gravação de Roberto Ribeiro. Os versos de Vazio(Está faltando uma coisa em mim) ecoaram pelo Canecão. Continuando a homenagem ao grande intérprete, Diogo cantou Acreditar.

A platéia não voltou mais pra cadeira, porque logo em seguida o herdeiro cantou Deixe a Vida me Levar. Com esse pensamento, Diogo, que viu seu rumo seguir pro samba, afirma, que agora, traçou o seu destino!

Toninho Geraes e Alceu Maia assinam Sem Você não Dá, gravado anteriormente por Beto Silva, autor também do samba Do Jeito Que Sou, inserido no DVD. Logo depois foi a vez da música de trabalho Fé em Deus, de Flavinho Silva. A música não chega a ser uma grande composição, mas a letra, com refrão fácil e já tocando nas rádios, já está na boca do povo. E nem venham me dizer que a frase pertence a facção criminosa, como já ouvi por aí. Agora ela é do samba!!!

Vi No Seu Olhar (Eu vi no teu olhar um alvorecer/ Que fez o mar resplandecer/ Fiz girassol girar, buscar/ E perseguir pra te encontrar) é uma composição de uma dupla talentosa: Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo. É de Wanderley Monteiro também o já clássico Água de Chuva no Mar (aquele das mãozinhas tremendo).

A banda deu um show! Alceu Maia (Cavaco), André Neiva (baixo), Cacau de Castro, filho de Mestre Telinho (Surdo e vocal), Carlinhos de Castro (pandeiro e vocal),Daniel Felix (percussão), Dirceu Leite (sopros), Henrique Garcia (cavaco), Marcelo Nami (violão de 12 cordas e guitarra), Sandro Araújo (bateria), Wallace Peres (violão de 6 cordas) e Analimar, filha de Martinho e sempre graciosa nos vocais.

Marcelo D2 saiu do Hip Hop e se meteu no samba. Uma parceria inusitada(Do Jeito que o Rei Mandou) para marcar o encontro de duas vertentes musicais completamente diferentes, mas nascidas nos guetos da periferia. Tão marginalizadas e tão fascinantes. Destaque para o improvisado rap de D2 na música Nó na Madeira.

Amor de Poeta, de Flavinho Silva e Cai no Samba, do parceiro Ciraninho, são outras duas músicas novas que merecem atenção. São as provas de que Diogo não canta só o que herdou do pai. Cai no Samba é um partido que a galera já aproveitou o refrão (Oba, oba, oba, le leô – Mengo!). Na ocasião, Diogo recebeu de presente, a camisa do time rubro negro.

Outro grande sucesso regravado por Diogo foi Lamas, gravado anteriormente por Zeca Pagodinho. Os casais atenderam ao pedido de Diogo Nogueira e dançaram ao som de uma das mais lindas composições de Almir Guineto.

O momento mágico do show foi quando exibiram no telão, um vídeo do João Nogueira cantando Espelho. E antes do espelho se quebrar, Diogo aparece acompanhando o pai em um dueto virtual. Pra quem ainda não assistiu ao DVD, só esse momento já vale a compra.

Pra terminar, a bateria da Portela e o casal de mestre-sala e porta-bandeira subiram ao palco para cantar os sambas de 2007 e 2008, vencidos pela nova geração de compositores da Azul e Branca de Madureira.

De lá de cima, João Nogueira canta: “A vida é sempre uma missão/ A morte uma ilusão/ Só sabe quem viveu/ Pois quando o espelho é bom/ Ninguém jamais morreu”



Texto por Serginho Corrêa
Fotos de Fernando Corrêa - veja fotos
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