I Fórum
Negro em Cena revela a grandeza e a importância
da cultura negra
Exu é o guardião
dos templos, Ogum conduz a guerra e Oxossi
à fartura. Estes, e outros orixás
representam os elementos da natureza Apenas
uma, dentre as várias manifestações
que contribuem para a formação
da cultura negra. Pois o objetivo do I Fórum
Negro em Cena foi cumprido: mostrar, e elevar,
a enorme contribuição do negro
no Brasil.
A mostra, que foi além disso, com exposições,
debates, degustação de comidas
típicas e roda de samba, levou à
Marina da Glória, em apenas dois dias,
sábado (24) e domingo (25) de março,
uma multidão que aproveitou para levar
um banho de conhecimento sobre a cultura afro-brasileira.
- É uma oportunidade de refletir e
afirmar a condição do negro
como protagonista e não mais como coadjuvante,
diz Carla de Oliveira, criadora e organizadora
do Negro em Cena. O evento, que contou com
o patrocínio da Petrobrás, e
o apoio de diversas entidades, surgiu a partir
de um projeto homônimo do fotógrafo
Ierê Ferreira, que previa apenas uma
exposição de fotos e o lançamento
de um livro de arte negra. Após dois
anos de pesquisa, o projeto abrange imagem
(vídeo e foto), música, dança
e palestras, e abriu espaço no final
para realização de quatro shows,
dois por dia de evento. No sábado apresentaram-se
Preta Gil e o grupo AfroReggae e no domingo,
fechando o Negro em Cena, as apresentações
do Farofa Carioca e a tecnomacumba da cantora
Rita Ribeiro.
Diversão e
Afro-Empreendedorismo, uma mistura interessante
O amplo salão de exposições
da Marina da Glória parecia menor com
a grandiosidade do Negro em Cena, aproveitou-se
muito bem o espaço com as exposições
de fotos de Ierê Ferreira, com variados
temas como família, religião,
moda, etc, sempre o negro como foco principal.
Ladeando o mostruário de fotos, uma
exposição de vestimentas de
orixás em tamanho natural e bonecos-manequins
também negros. Todos com muito brilho
e com os característicos utensílios,
que identificam a entidade em questão.
- Fiz um breve resumo nesta exposição
dos orixás, para que as pessoas entendam
um pouco qual a função e a importância
de cada um deles aqui expostos. Qual a simbologia,
e que elemento da natureza cada santo movimenta,
explica Roberto de Oxossi, realizador da mostra.
Nos estandes laterais do Negro em Cena, as
empresas que investem neste segmento, incluíam
ongs e incubadoras como a Ipeafro, a Abayomi
e grupo cultural AfroReggae, unindo a seriedade
e bons negócios à diversão
e arte. Na entrada do pavilhão um espaço
lounge com sofás e grandes cadeiras,
garantiam o descanso de quem se sentia em
uma maratona de opções.
O design e a decoração do espaço
foram valorizados pelos contornos da Baía
de Guanabara, que colabora e muito com sua
beleza natural.
- Desde fevereiro deste ano, trabalhamos com
a idéia de valorizar este cenário
natural, a foto do logo principal é
do Ierê Ferreira, e escolhemos motivos
afros pra combinar com o evento, explica Marina
Enriges, estagiária da Substância
4, empresa responsável pela programação
visual.
Livre do ofício, a estagiária
só estava ali para aproveitar a noite
com os shows de Rita Ribeiro e do grupo Farofa
Carioca, acompanhada do namorado, Pedro Braz,
que se surpreendeu com a festa:
- Poxa eu não esperava a comunidade
negra tão presente! E em plena Marina
da Glória, estou achando um barato!
Os eventos culturais no Rio estavam meio em
baixa, mas aqui não e ainda mais com
a maioria negra, ficou uma mistura bastante
interessante.
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