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COLUNA DO SAMBA

E aí? tem Patrocínio?

Foi-se o tempo em que os enredos contavam fatos históricos do nosso país. Hoje em dia a moda é fazer enredo patrocinado. Homenagear cidades e empresas virou moda em busca de um bom retorno financeiro. E o carnaval? Bom, esse fica em segundo plano!
Quando a Mangueira veio com a fonte de energia das estatais, estava entrando de vez no grupo de escolas que perderam a cultura. Pois pra mim, essa é a maior explicação. Hoje em dia ninguém quer estudar um enredo, buscar acontecimentos do nosso glorioso passado ou resgatar grandes nomes. A febre do momento é mascarar enredos.

Um bom exemplo disso, no carnaval 2006, vem da Caprichosos de Pilares. Com um enredo chamado “Na folia com o Espírito santo: O Espírito Santo Caprichou”. O que parece ser um enredo que irá contar as maravilhas do estado Capixaba, torna-se nitidamente uma homenagem à fábrica de chocolates que lá existe:
“...Feito GAROTO me lambuzei/ Senti a fé me renovar...”
“Espírito Santo caprichou
É chocolate na avenida
Numa SERENATA, Pilares canta
Feliz da vida...”

A Beija-Flor vem falando de Poços de Caldas. Pelo menos fala de suas riquezas minerais, mas não irá me surpreender se algum momento do desfile não seja feita menção às empresas de águas minerais, que certamente patrocinam o enredo.

A Mangueira, depois de ano insistindo em homenagear os baianos, e, mais recentemente, os nordestinos, repete a dose com O Rio São Francisco.

O Ceará decidiu apoiar financeiramente a Mangueira atendendo a um pedido do ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes. Embora a Secretaria de Cultura do Ceará afirme que o enredo defenderá e divulgará a transposição, a posição oficial da Mangueira é que a escola não é a favor ou contra, e que o enredo não é político. O que fez com que a Frente Cearense por uma Nova Cultura de Água e Contra a Transposição do Rio São Francisco entrasse com ação cautelar na Justiça contra o patrocínio do enredo da Mangueira pelo governo do Ceará. A entidade quer que a Justiça impeça o depósito da segunda parcela do patrocínio, no valor de R$ 250 mil, de um total de R$ 500 mil acertados.

A Vila Isabel conseguiu ser ridícula por inteiro. Ao tentar pegar embalo no sucesso da novela América, trouxe um enredo sem interesses e um samba fraquíssimo. Rimas como: Sol e portunhol, som e corazón, fizeram do samba da terra de Noel pagar o mico do ano.

Aliás, a culpa também é dos carnavalescos que colocam frases pré-fabricadas como se fossem obrigatórias e obrigam os compositores a criarem rimas esdrúxulas.

Que saudade dos temas militares na época do “Brasil: Ame ou deixe-o”
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