Muitas pessoas dizem que o samba está na
moda. Essa indagação, que poderia
animar a maioria dos músicos, é uma
grande mentira. Afinal de contas, quantos sambistas
você conhece que realmente vivem bem?
São poucos os que estão na mídia,
tocando na rádio, aparecendo na televisão
ou gravando seus discos com super produções.
Andar de carro? Objeto de luxo pra alguns.
O nosso país não valoriza muito os
seus artistas, isso já sabemos. Mas como
explicar as cifras milionárias que cantores
de pagode, axé, sertaneja e forró
recebem, enquanto o samba morre à míngua?
Banalizaram, descaracterizaram, deixaram de tocá-lo.
Permitiram que ele caísse nas mãos
dos aproveitadores. E o que houve com o resultado
de tantas mudanças?!
Bem... Alguns profissionais da música,
uma minoria, se deu bem. Souberam aproveitar o
dinheiro que veio através do samba. Mas
e a maioria? O que a maioria fez com tudo que
ganharam fruto desse movimento que na década
de 90 foi fortíssimo?
É uma pena, pois relaxaram! Atualmente
é bonito ver a união dos profissionais
de outros segmentos musicais. Trabalham juntos,
e até brigam em si - se for o caso - para
aprimorar o que acreditam. Respeitam seus fãs
e simpatizantes, que via de regra, são
os inúmeros consumidores de cds, freqüentadores
de eventos?
Separaram o samba da MPB e com isso, só
chegam à mídia se forem gravados
por Caetano Veloso, Gal Costa, Maria Bethânia
ou pelos consagrados Zeca Pagodinho, Beth Carvalho
e Emilio Santiago.
A Lapa, no Rio de Janeiro, vive com suas casas
de samba cheias. São pessoas que gostam
do samba e outras que freqüentam aproveitando
o modismo, o status de estar no samba.
Cartola, Nelson Cavaquinho, Candeia, Ismael e
muitos outros, morreram pobres e o único
reconhecimento, é ter suas composições
executadas pelos novos intérpretes.
O samba não perde a majestade, mas, é
preciso que todos prestem mais atenção
quanto à manutenção do meio
artístico, e respeitem mais o samba, pois
é dele que todos os profissionais tiram
seus sustentos.