O carnaval antigo era um carnaval com mais participação
junto ao povo. No carnaval de antigamente, na Avenida
Rio Branco, o povo tinha um contato maior com as
escolas, via de mais perto, porque tinha corda,
não era arquibancada.
Havia empolgação nos desfiles antigos,
mesmo sem a pompa dos dias de hoje. As agremiações
que tinham maior número de componentes tinham
quatrocentas, quinhentas pessoas. Eram as escolas
que hoje são do Grupo Especial. O desfile
era mais demorado. Começava na Avenida Presidente
Vargas, descia a Avenida Rio Branco e terminava
na Cinelândia, passando três, quatro
horas de desfile.
O verdadeiro sambista tem que ser fiel à
sua escola. O sambista natural, que é sambista
mesmo, não é sambeiro. Tem componente
que desfila em três, quatro escolas, mas aqueles
mais apaixonados, mais sambistas mesmo, não
fazem isso. É que nem uma torcida de futebol,
cada escola tem a sua torcida, tem os seus próprios
componentes. Era muito difícil algum componente
de uma escola desfilar em outras.
Hoje é um carnaval mercadológico,
que é transmitido pela televisão e
pelo rádio. É um desfile para turista.
Os blocos, lindos e intermináveis, passavam
com seus foliões e a animação
ia tomando conta dos espectadores. Como uma onda
de alegria. Era bom. E como.
Da calçada, casas e prédios baixos
do centro da cidade choviam confete e serpentina
sobre o cordão. No ar, o cheiro bom da maresia
vinda do cais, ali tão perto, e também
dos lanças perfumes Rhod’Ouro, a oitava
maravilha do mundo, infelizmente também perdida
para sempre. Que saudade!
O carnaval de rua. Quem viu, viu. Quem perdeu, não
pode nem sequer imaginar. Dizer que era maravilhoso
é dizer pouco. Muito pouco.
O tempo passou. O lança-perfume passou. Muitos
carnavais passaram por sobre essa passarela colorida
de saudade, confete e serpentina. Só o amor
pelo samba não passou. Ficou maior.
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