CONFETES E SERPENTINAS
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ZEZÉ MOTTA – NEGRA MELODIA

CAMINHOS DO SAMBA

Muitos a conhecem apenas como atriz, por ter atuado em papéis de destaque teatro “Roda Viva” em 67 e “Orfeu Negro” em 72 e no cinema nacional como a emblemática Xica da Silva, de 76, dirigido por Cacá Diegues, quando ganhou prêmios internacionais, e outros filmes históricos como “Vai trabalhar vagabundo”, ganhador do Kikito de 74, dirigido por Hugo Carvana e “A força de Xangô” de 77, este dirigido por Iberê Cavalcanti além de filmes sempre ligados ao samba e a música de uma forma geral, como “Natal da Portela” de 88, dirigido por Paulo César Saraceni e “Orfeu” de 99, também dirigido por Cacá Diegues. Além do cinema muitos conhecem Zezé das novelas e minisséries, onde viveu novamente Xica da Silva entre 96 e 97 e “Mãe de Santo” de 90, ambas na extinta TV Manchete, além de outras minisséries na Globo como “Chiquinha Gonzaga” e “Memorial de Maria Moura”.

O que infelizmente grande parte do público desconhece, é que Zezé também é uma grande cantora, iniciou como crooner em 71, gravou diversos LP’s e CD’s. Em 1975, gravou, com Gerson Conrad, o LP "Gerson Conrad e Zezé Motta", "Zezé Motta" (1978) e "Negritude" (1979), "Dengo" (1980), "Frágil força" (1985), e, com Paulo Moura, Djalma Correia e Jorge Degas, "Quarteto negro" (1987), "Chave dos segredos" (1995). Afastada dos estúdios desde 2000 quando gravou o CD “Divina Saudade” em homenagem à divina Elizeth Cardoso, Zezé retoma agora com mais um projeto de homenagens, onde com muita coerência em relação às suas origens e seus repertórios ao longo dos tempos, ela grava “Negra Melodia” 2011 com músicas de Luiz Melodia e Jards Macalé com seus respectivos parceiros. O

No show desse disco, Zezé entoa, antes de entrar no palco e à capella a música “Decisão” (Luiz Melodia e Sergio Mello) onde já arrepia e mostra toda a sua técnica como cantora, ao longo do espetáculo mostra toda sua força vocal e de interpretação em canções como “Vapor Barato” (Jards Macalé e Waly Salomão), que não está no CD e “Vale quanto pesa” (Luiz Melodia), décima faixa do CD, além de sucessos como “Estácio Holly Estácio”, onde coloca o público literalmente pra cantar, abrindo o microfone para alguns presentes na platéia, “Magrelinha” e “Pérola Negra”(Luiz Melodia) esta em estilo jazzy, o que deu uma boa renovada na música..

O show de fato vale quanto pesa, a densidão e a dramaticidade de algumas canções da lavra de Jards necessitam uma boa dose de segurança e interpretação, atributos que Zezé tem de sobra, e na malandragem e no suingue das músicas de Melodia são qualidades em que Zezé esbanja categoria e autoridade quando o assunto é a negra melodia da música brasileira.

 

 

 

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