CONFETES E SERPENTINAS
RÁDIO BERÇO DO SAMBA

GRUPO BERÇO DO SAMBA

ENTREVISTAS

" Entrevista concedida ao jornalista Cléber Cordeiro."
Fotos de Bianca Paroli
WANDERLEY MONTEIRO, DOS SAMBAS AUTÊNTICOS ÀS ESCOLAS DE CARNAVAL

A franqueza e a simplicidade contrastam com a magnitude explícita contida no depoimento de ninguém menos que o grande compositor e pesquisador Nei Lopes. A de que a grande revelação da década, representante do samba e da canção popular, no Brasil, atende pelo nome de Wanderley Monteiro. Uma tremenda massagem no ego!
Wanderley Monteiro - que na festa de lançamento do site Berço do Samba se apresentou como convidado especial no show do grupo Nosso Canto (só tem bambas!) - é um sujeito de postura contida.
Reservado que só ele, aproximei-me e convidei-o para dar um depoimento à coluna. Afinal a Canto Carioca não deixaria passar a oportunidade de conversar com a revelação do samba. Segundo as boas línguas!
Sem trocadilhos, Wanderley tem o samba como berço. Ainda jovem, aninhou-se num time de parcerias que fazem orgulho a qualquer veterano das rodas. Tudo porque na família, todos gostam muito de samba. Portelense, enfileira suas influências: Manacéa, Mijinha, Monarco, Candeia, Alcides e os verde-rosa Cartola, Nelson e Cachaça. “O legado deles é muito grande. E, nós não podemos deixar isso morrer”, vaticina.
Queira ou não, as coisas mudam, os tempos são outros e Wanderley Monteiro tem consciência disso. De pé no chão, o ainda pacato escriturário bate cartão no trabalho na hora marcada. E, na hora certa despontará para o devido reconhecimento popular, pois lá é o seu lugar.

Canto Carioca – Wanderley Monteiro, seu samba tem melodias raras e versos simples. Você está resgatando a simplicidade no samba?

Wanderley Monteiro: O simples é muito bonito. E, às vezes você quer sofisticar tanto que perde a beleza. De certa forma, existe uma mudança de lá pra cá. Uma mudança de letra, de melodia, mas dentro daquela mesma linha. Existe uma mudança de visão, de como o samba é feito.

Canto Carioca – O que te agrada no samba de hoje?

Wanderley Monteiro: Hoje se diz de um samba moderno, né. Não sei se o termo é este. A minha preocupação maior é que esta garotada que a gente está chamando pro samba hoje, não ouviu ou não teve a oportunidade ainda de ouvir essa turma do passado que a gente tem falado aqui (Velhas Guardas). Então a referência deste pessoal é um pouco mais pra frente. E, quando a gente chega pra cantar no palco aquelas obras lindas que estão aí, a gente soa novo.

Canto Carioca – Como está a sua relação com as rádios e mídias como a Internet?

Wanderley Monteiro: O grande problema da rádio é que ela como toda empresa, tem que dar lucro. E onde ela busca o lucro? No nicho que supostamente dá resultado. Como acaba sendo passageiro, eles voltam paras as referências. Hoje muita gente pesquisa, e vai ouvir Cartola, Paulinho da Viola na Internet, aí chega em um Luis Carlos da Vila, meu grande mestre, em Wilson Moreira e Nei Lopes. Ou seja, o samba da essência nunca fica pra trás.

 

Canto Carioca – Você faz samba-de-raiz?

Wanderley Monteiro:Eu não gosto muito do termo samba-de-raiz. Porque samba-de-raiz na minha modesta opinião, foi feito lá atrás com Donga, João da Baiana, Pixinguinha, aquela turma toda. Eles é que plantaram. Lá está a raiz. Eu prefiro chamar de samba autêntico. Eu não posso dizer que eu faço samba-de-raiz, pô, em pleno ano 2006! Eu procuro fazer um samba autêntico!

Canto Carioca – O que é o samba autêntico?

Wanderley Monteiro: É um samba que tem divisão, melodia e letra de samba. Que tenha respeito. Que vai se ouvir aqui e vai marcar, como samba.

Canto Carioca – Como saem as suas parcerias?

Wanderley Monteiro: Eu tenho vários parceiros. Sou um promíscuo do samba (risos). Graças a Deus! Eu comecei com o Álvaro Maciel, que é o meu parceiro de infância. Depois veio o Zé Luis do Império, Ratinho. Tenho sambas com o Rico Dorileo, grande pessoa e excelente compositor. Também compus com Délcio Carvalho. E outros menos famosos mas com a mesma qualidade, como o Ferreira, o Carlos Caetano. O Luis Carlos Máximo, que hoje é o meu parceiro mais constante, temos dois sambas no meu disco. Eu faço samba com todo mundo! Compor é uma satisfação muito grande. São duas coisas que eu adoro fazer: compor e cantar os meus sambas. É uma necessidade.

Canto Carioca – Como você sentiu-se ao ser citado por Nei Lopes como a revelação da década?

Wanderley Monteiro: Sinto-me muito honrado. Ser citado pelo Nei, pelo Moacyr (Luz), O Luis Carlos da Vila que é meu parceiro também, já me citou em vários programas de tv e rádio. O texto do Nei saiu no O Globo, eu pedi a ele e coloquei no meu release, o texto está na íntegra. Isso me envaidece muito. O Adilson Bispo, outro parceiro meu, diz que eu sou uma coisa inédita, porque eu não gravo, quer dizer, gravei pouco, a Beth (Carvalho) que me gravou 3 vezes e eu fiquei conhecido e respeitado no meio! Ele diz: isso que você conseguiu é uma coisa inédita. Então as pessoas começam a conhecer o meu trabalho. E isso não subiu à cabeça. Eu continuo o funcionário de carteira assinada, que bate ponto todo dia.

Canto Carioca – Você participa de alguma escola de samba?

Wanderley Monteiro: Sou portelense, muito pela referência, pelos compositores da maravilhosa Velha Guarda. E de 3 anos pra cá, estou me metendo a disputar samba na Portela. Este ano, eu cheguei à semifinal. O Diogo (Nogueira) ganhou. Agora, não vou a outras escolas. Minha referência não é de escolas de samba. A minha é o samba mais cadenciado, mais melódico. E aconteceu também uma espécie de “globalização” das escolas de samba. Tem uma frase, que não é minha, é do Cláudio Jorge, que eu acho genial, que diz: “não tem mais escola de samba, agora é escola de carnaval”. E, a partir desta frase, pensem o porque do “escola de carnaval”. E é isto que está acontecendo.

 

 


DIVULGAÇÃO DE EVENTOS
CADASTRO
Cadastre-se para receber nossas atualizações:

Nome:
Email: