CONFETES E SERPENTINAS
RÁDIO BERÇO DO SAMBA

GRUPO BERÇO DO SAMBA

SINOPSE

O bloco Berço do Samba homenageará o centenário de Noel Rosa. Com o  enredo "Noel Vila Isabel Rosa - 100 Anos". O bloco, que desfila na Lapa,  inicia seus ensaios no Balneário da Lapa, Av. Mem de Sá, 63 , a partir  das 20 horas, com roda de samba, e recebe inscrições para disputa de  samba enredo. A inscrição e informações adicionais podem ser feitas pelo e-mail 
bercodosamba@globo.com, até o dia 7, contendo nome e telefone para contato.
O desfile acontece no Sábado das Campeãs.
Sociedade Recreativa e Cultural Berço do Samba

"O avô era médico, 
 a avó tocava piano, 
e o irmão formou-se em medicina. 
 E Noel”?
 

    • Este é apenas um texto de referência. O assunto é livre, considerando apenas a citação do nome de Noel Rosa, Vila Isabel e Berço do Samba.

    • Pede-se um samba alegre, de extensão pequena.

Noel Rosa nasceu em 11/12/1910 na cidade do Rio de Janeiro. Era neto de médico, e o desejo de sua mãe é que ele também fosse.
O parto foi difícil e os médicos não tinham alternativa, se não forçassem o seu nascimento, mãe e filho poderiam morrer.
E assim nasceu Noel de Medeiros Rosa, marcado pelo fórceps que lhe fraturou e afundou o maxilar inferior, provocando também a paralisia parcial do lado direito de seu rosto.

O defeito do rosto acentuava-se à medida que o menino crescia. Aos 6 anos foi operado, mas a ortopedia da época não conseguiu nada.  
Aos 13 anos, ganhou o apelido de Queixinho. Ficava quieto, remoendo a amargura que lhe causava o defeito, mas já revelava a ambigüidade do Noel adulto; em outros momentos falava pelos cotovelos, inventando brincadeiras e contando piadas.  

Noel estudava apenas o suficiente para passar de ano e fez suas primeiras aparições com 15 anos. Ingressaria, aos 19 anos na faculdade para a alegria de seus pais. Em 1932 já não freqüentava as aulas. Perdia-se um mau médico, ganhava-se um bom sambista. Da medicina a única coisa que aproveitou foi a inspiração para fazer um “samba anatômico”, chamado Coração.  
Numa entrevista, ele dá uma versão do nascimento da música: “Com sangue de boêmio, eu passei a chegar em casa, em determinada época, a altas horas da noite. Vinha de festas, ou de serenatas, ou de simples conversa. Mas, o fato é que essa vida passada toda em claro devia prejudicar a minha saúde. Foi o que aconteceu. Comecei a emagrecer assustadoramente. Adquiri umas olheiras dramáticas e minha mãe se assustava. Pressentiu antes de ninguém meu estado”.

Certa vez a  mãe de Noel preocupada com sua saúde escondeu as roupas do filho, justamente num dia que os amigos iam buscá-lo para uma festa. – “Como é Noel, vamos para o baile? “E eu, dentro do quarto, mas com que roupa? Mal eu tinha acabado de soltar a frase, quando ocorreu-me a inspiração de fazer um samba com esse tema. Foi um barulho, todo mundo cantou. É assim que eu faço as minhas coisas. Essa música foi gravada para o carnaval de 1931 e foi transmitida pelos alto-falantes dos clubes carnavalescos sendo o maior sucesso, onde vendeu 15.000 discos.    

Noel estava interessado numa dançarina chamada Ceci e marcou um encontro com ela. Ceci não apareceu e mandou uma carta dizendo que não queria compromisso. Então Noel enciumado e com dor de cotovelo casa-se imediatamente com Lindaura.  
Lindaura suportou a vida do marido, embora de vez em quando tentasse reivindicar seus privilégios de esposa, mas Noel não tinha cura, muitas vezes saíam juntos e ele a abandonava para ficar com os amigos que encontrava pelo caminho. O pouco dinheiro que ganhava não chegava em casa, por isso o casal era sustentado pela mãe de Noel, o que aborrecia bastante Lindaura.  
Numa entrevista a uma revista, foi feita a seguinte pergunta a ele: - Que relação julga que existe entre o amor e a música? – “Romeu e Julieta morreram ignorando-a. Acho, porém, que a relação seja a mesma que existe entre a casca de banana e o escorregão."
Noel era despreocupado com as coisas formais, seu dia começava à tarde quando levantava e ficava compondo. Mostrava para a mãe a música recém feita e saia para os bares, cafés. 

Evitava comer na frente dos outros, pois mastigava com dificuldade. Por isso mesmo alimentava-se apenas de caldos, ovos e comidas leves. Passando as noites em claro, comendo pouco, fumando e bebendo muito, logo começaram a aparecer manchas ameaçadoras em seus pulmões. Noel precisava mudar de vida se quisesse sobreviver.  

O médico, então sugeriu que viajasse para um clima seco, como Belo Horizonte. Com a colaboração dos amigos viajou com a esposa no início de 1935. Mas, Belo Horizonte também tinha emissoras de rádio, cafés, botequins, cervejas e gente querendo ouvir Noel cantar. Então, porque não retomar a vida antiga? O médico advertiu; se não continuasse o tratamento, teria apenas dois anos de vida. 
Para Noel era o suficiente, preferia dois anos bem vividos  do que sobreviver sem cigarros, bebidas, mulheres e samba.
O prazo de dois anos se escoava. Em novembro de 1936 surgiu-lhe um doloroso abscesso na face esquerda, operado pelo vizinho dentista.
Precisava novamente dos ares da serra. E precisava novamente da ajuda dos amigos para poder viajar. Em janeiro de 1937 foi para Nova Friburgo, mas voltou 20 dias depois, sem ânimo para a boêmia e ficou alheio mesmo ao carnaval.  

No dia 4 enquanto na casa vizinha cantavam e tocavam suas músicas, Noel dizia para seu irmão que velava à sua cabeceira;-“Estou me sentindo mal. Quero virar para o outro lado“. Ao virar a sua mão tamborilou alguns momentos sobre a mesinha de cabeceira. Depois as batidas foram esmorecendo, e seu coração parou. Estava morto, Noel Rosa, aos 27 anos de idade, de tuberculose, o cantor da Vila.
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